Estudo mostra que meninas são menos propensas a acreditar que são “brilhantes”

Segundo pesquisa divulgada na Science, a partir dos 6 anos, garotas passam a acreditar que meninos são mais inteligentes

Garotas tendem a escolher jogos para “crianças muito esforçadas” ao invés de para “crianças muito inteligentes” | Foto: Flickr/Vazovsky

Estereótipos sobre meninos e meninas influenciam os interesses das crianças. É isso que aponta um estudo publicado nesta sexta-feira (27/1) pela revista científica Science. Segundo a pesquisa, aos seis anos, garotas são menos propensas a achar que elas ou outras meninas são “brilhantes” e começam a evitar atividades que seriam para “crianças inteligentes”.

Além disso, a pesquisa também apontou que as crianças de ambos os sexos tendem a achar que meninas são mais “legais” que os garotos. O estudo foi baseado na análise de comportamento de 400 crianças com idades que variavam entre cinco e sete anos.

Em uma das tarefas do experimento, as crianças ouviram uma história sobre alguém “muito, muito inteligente” — ou “brilhante”, nas palavras da autora da pesquisa. Depois, os participantes tinham que falar se esse alguém era homem ou mulher.

Os resultados mostraram que, aos cinco anos, as crianças escolhiam seu próprio gênero como “muito, muito inteligente”. Entretanto, aos seis e sete anos “as meninas eram significativamente menos propensas que os meninos a associar o brilhantismo com seu próprio gênero”.

Uma tarefa semelhante foi feita, analisando qual sexo as crianças associariam a alguém “muito, muito legal”. Aos cinco anos, os participantes escolhiam seu próprio gênero, porém aos seis e sete anos, as meninas eram consideradas mais legais que os meninos.

Depois, os participantes do estudo tiveram que escolher entre um jogo para crianças “muito, muito inteligentes” ou para “crianças que se esforçam muito”. Os pesquisadores perceberam que as meninas com seis e sete anos tinham menos interesse em jogos para jovens inteligentes que os meninos. Aos cinco anos, elas tinham a mesma propensão a escolher qualquer um dos dois jogos.

Segundo a autora do estudo, a pesquisadora da Universidade de Illinois Lin Bian, essas descobertas mostram que os estereótipos podem ter consequências relevantes para as carreiras que as mulheres escolhem, o que pode a afastar de campos tipicamente associados ao brilhantismo.

“Os estudos apontam que as noções de brilhantismo relacionadas ao gênero são adquiridas precocemente e têm um efeito imediato sobre os interesses das crianças”, afirma a pesquisadora. O estudo original, em inglês, pode ser acessado neste link.

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