Estudo da UFG aponta possibilidade de escassez de água na Grande Goiânia

Expansão da mancha urbana e má gestão dos recursos hídricos por parte dos municípios podem gerar problemas maiores que pontuais crises hídricas

Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

Estudo divulgado pela Universidade Federal de Goiás aponta a necessidade de mudança nas políticas de preservação ambiental e utilização dos recursos hídricos por parte dos municípios que compõem a Região Metropolitana de Goiânia (RMG), sob o risco de se sofrer com a escassez de água.

O amplo diagnóstico foi  feito por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), no âmbito do Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI). De acordo com o estudo, os cursos d’água superficiais e o lençol freático vêm sendo desgastados a tal ponto que a crise hídrica pode, em pouco tempo, se tornar calamidade, sobretudo em períodos de seca.

Pesquisadores da Escola de Engenharia Civil e Ambiental (EECA/UFG) observaram que cidades como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade, Senador Canedo e Bela Vista crescem e fazem planos de expansão sem considerar as condições locais de abastecimento. 

A “mancha urbana” se espalha, as construções avançam de forma desordenada sobre áreas que não necessariamente possuem pontos públicos de captação de água e se faz cada vez mais necessária a perfuração profunda do solo. Ao mesmo tempo, os territórios vão se tornando impermeáveis, aumentando as chances de assoreamento e erosão.

Somado a esse ciclo está o desmatamento crescente do território. Menos de 25% da Grande Goiânia, cuja área é de 7.397,203 km², são de mata remanescente do Cerrado. O restante se encontra em pastagens, lavouras e áreas construídas.

“Há pouca representatividade de Unidades de Conservação em escala metropolitana e se verifica degradação elevada nas áreas de proteção permanente (APP) dos cursos de água”, confirmam os professores Karla Emmanuela Ribeiro Hora e Maurício Martines Sales, coordenadores da pesquisa sobre as condições ambientais da RMG.

Gestão

Quando o assunto é o uso da água, o diagnóstico reconhece dificuldades no estabelecimento de diálogo entre municípios e concessionária. As outorgas não são devidamente vistoriadas e, para a população, as informações a respeito de condições de saneamento e distribuição das redes de água e esgoto não são suficientes. Nesse sentido é que as prefeituras carecem de planejamento conjunto. “Constatamos ainda uma ausência de preocupação com futuros mananciais nos planos diretores municipais”, acrescentam os professores.

No que diz respeito à gestão de resíduos, o diagnóstico sobre as condições ambientais da RMG aponta para uma parca gestão, o que também impacta os ecossistemas que fazem circular a água. Não há lugares adequados para a deposição do lixo, nem políticas de aproveitamento e redução. Um exemplo é o aterro sanitário em construção nos limites de Guapó, situado próximo às nascentes do Ribeirão Veredas. Conforme o diagnóstico, esse aterro poderá comprometer a qualidade ambiental do manancial de abastecimento do município de Aragoiânia.

“Não é possível garantir água para todos se não repensarmos nosso modelo de ocupação urbana e se não protegermos os mananciais. Não há outro caminho”, anunciam. Para tanto, os pesquisadores defendem que é preciso promover gestão compartilhada entre todos os entes federados da RMG, a população e o setor produtivo. O território em questão é banhado pelas sub-bacias do Rio Turvo, do Rio dos Bois, do Rio Meia Ponte e do Rio Corumbá.

PDI-RMG
O diagnóstico das condições ambientais da RMG foi realizado a partir de um convênio estabelecido com a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), no contexto do Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI).

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