Miguel Nicolelis diz que Brasil pode chegar a casa dos 500 mil mortos por Covid-19 em julho

Professor da Universidade Duke (EUA), Miguel Nicolelis acredita na chegada de um cenário catastrófico mesmo se houvesse uma vacinação acelerada imediata. “É duro dizer isso, mas vai piorar muito se não fizermos nada”, considera

Professor da Universidade Duke (EUA), Miguel Nicolelis / Foto: Reprodução/Internet

Segundo o médico e professor da Universidade Duke (EUA), Miguel Nicolelis, o Brasil pode atingir o patamar de meio milhão de mortes por coronavírus até o mês de junho de 2021. A alternativa, segundo ele, é que sejam implementadas medidas restritivas de maneira imediata. Só assim o médico acredita que será possível evitar o avanço do que chama de Hecatombe, que significa “destruição em grande escala”.

Conforme mostrado pelo jornal O Globo, o surto indiscriminado de casos no Brasil é um reflexo das aglomerações geradas em razão das eleições municipais de 2020, bem como das festas de Natal e Réveillon, bem com as comemorações de carnaval. Como medidas mais duras seguem sendo evitadas, o pico da doença no País segue inestimado.

Segundo o estudioso, medidas enérgicas precisam ser adotadas. Dentre elas, ele cita o impedimento de fluxo nas rodovias e o fechamento dos grandes centros. “Ou faz agora, ou as pessoas vão morrer na rua”, diz.

Questionado sobre a importância, ou não, de um lockdown nacional, o médico rememorou: “No Reino Unido, em dezembro, o comitê científico disse que em 12 dias o sistema hospitalar ia colapsar. O primeiro-ministro fechou o país. Hoje, a Inglaterra anunciou que teve a menor taxa de transmissão, óbitos e internações desde setembro. Porque fez o que tinha que fazer. Não teve lero-lero. Não tem saída”.

Ainda sobre o assunto, disparou: “Nós sempre seguimos as ondas europeias. Avisamos em outubro que a segunda onda ia chegar aqui, agora certos lugares da Europa estão na terceira onda e vai chegar também. É duro dizer isso, mas vai piorar muito se não fizermos nada. E tem que ser a nível nacional, com medidas sincronizadas. Não adianta fechar um estado e deixar o resto aberto porque o vírus está em todo lugar, se espalha pelas rodovias, pelos aeroportos. Vamos chegar a 300 mil óbitos com uma rapidez impressionante. Podemos chegar a 500 mil na metade do ano, no meio do inverno.

Mesmo que houvesse uma vacinação em massa da população brasileira, o especialista assegura que dificilmente seria possível reverter o cenário estimado. “Teríamos que vacinar 3 milhões de pessoas por dia por 60 dias, começando imediatamente. É altamente improvável. Enquanto isso, se tivermos 2 mil mortes por dia por 120 dias, teremos mais 240 mil mortes. É uma estimativa grosseira, só para ilustrar que chegaríamos a 500 mil mortes em meados de julho”, finalizoui.

Questionado pela reportagem sobre a necessidade de uma mobilização internacional em favor do Brasil, o médico não hesitou em afirmar que o País precisa de ajuda. “Pedimos aos países amigos com excedente de vacinas, mas o que os governos desses países falam publicamente e reservadamente é que não tem um interlocutor”.

Em seguida, pontuou: “Não somos um país pária, somos um país radioativo. O Brasil não é um problema só dos brasileiros, é um problema do mundo. Se não controlarmos a pandemia, nossas fronteiras são porosas, as variantes daqui vão escapar, e o mundo sabe disso”. (Com informações do jornal O Globo)

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