Estudantes da UnB promovem “cuspe ao alvo” com foto de Jair Bolsonaro

Dezenas de pessoas que passaram pelo local repetiram o ato do deputado Jean Wyllys, que cuspiu em direção a Bolsonaro depois de ser insultado no plenário da Câmara

Estudantes promoveram "Cuspe ao alvo" com foto do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), no pátio da UnB | Foto: reprodução/Facebook

Estudantes promoveram “Cuspe ao alvo” com foto do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), no pátio da UnB | Foto: reprodução/Facebook

Um grupo de alunos do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da Universidade de Brasília (UnB) decidiram “homenagear” o discurso que deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) proferiu no último domingo (17/4) durante sessão de votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff com um Cuspe ao Alvo, organizado em frente ao Restaurante Universitário na tarde da última terça-feira (19/4).

Os estudantes colocaram uma foto do deputado impressa em um papel A3 colado na parede e ao lado, uma caixa de som que repetia o discurso proferido por Bolsonaro, no qual fez elogios ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e exaltou a ditadura militar e a memória do coronel Carlos Brilhante Ustra, que foi torturador e chefe do DOI-Codi em São Paulo.

Dezenas de pessoas que passaram pelo local repetiram o ato do deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), que cuspiu em direção a Bolsonaro no plenário da Câmara no último domingo. “Jean fez o que todos aqueles que lutam pela consolidação dos direitos humanos gostaríam de ter feito: humilhou à quem chacota da liberdade”, diz o texto do da organização estudantil em seu perfil oficial no Facebook. Confira a galeria de fotos.

Entenda a polêmica
O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) cuspiu na cara do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a sessão de votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. De acordo com o próprio Wyllys, ele foi insultado por Bolsonaro e respondeu com a cusparada no deputado.

“Na hora em que fui votar, esse canalha decidiu me insultar na saída e tentar agarrar meu braço. Ou foi alguém que estava perto dele. Quando ouvi o insulto, devolvi com um cuspe na cara dele, que é o que ele merece”, destacou o deputado do PSOL.

Bolsonaro atribui a atitude de Wyllys à referência feita por ele ao coronel Brilhante Ustra para justificar seu voto favorável ao impeachment momentos antes do episódio.

“O que falei, ele não gostou. Não falei para ele. Defendi o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, segundo Dilma Rousseff um torturador. Falei em memória dele. Falei algumas outras coisas. Quando ele saiu, tinha muita gente gritando para ele, que resolveu escolher um alvo. Deu uma cusparada em cima de mim. Estou com um cheiro horrível agora”, ironizou.

Wyllys disse não ter medo de sofrer processo por quebra de decoro parlamentar e reafirmou que cuspiria em Bolsonaro novamente. “Não temo enfrentar processo. Processo tem de enfrentar quem é machista, quem é racista, quem promove a violência, quem defende a memória de Brilhante Ustra – um torturador –, quem defende a tortura nesse país. Isso deveria escandalizar vocês, não o cuspe na cara de um canalha”, afirmou.

Em seu perfil no Twitter, o deputado Jean Wyllys especificou os insultos que ouviu de Bolsonaro. “Não negarei e nem me envergonharei de ter cuspido num fascista que me insultou de “veado”, “queima-rosca” e “boiola”. (Com Agência Brasil)

PSC
O PSC Nacional anunciou na última terça-feira (19/4) que vai encaminhar, até a próxima semana, ao Conselho de Ética da Câmara representação contra o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Assessores do partido explicaram que, com o feriado, muitos parlamentares já não estão em Brasília, mas que o documento está sendo elaborado.

A expectativa não é pela cassação do mandato de Wyllys, mas o PSC espera “alguma reprimenda” por considerar que o parlamentar não teve “comportamento adequado” no plenário da Casa. “Qualquer ato de violência precisa ser reprimido, esta é a convicção do partido. Que isto seja uma medida didática e lúdica”, completou um dos assessores da legenda. (Com Agência Brasil)

OAB
Ainda última terça-feira (19/4), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Felipe Santa Cruz, afirmou que a entidade recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, se necessário, à Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, para pedir a cassação do mandato do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Santa Cruz disse que entrará também com uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para que aprecie o discurso de Bolsonaro.

O presidente da seccional da OAB acrescentou que um grupo de juristas já está elaborando um estudo com argumentos e processos cabíveis para pedir a cassação do mandato do parlamentar.

“A apologia de um parlamentar à tortura, considerada mundialmente um crime de lesa-humanidade, ao fascismo e a tudo que é antidemocrático. É uma degeneração política. É inadmissível que um membro do Congresso Nacional abuse de sua prerrogativa de função, em total afronta ao artigo 55, II e § 1º da CRFB [Constituição da República Federativa do Brasil], para homenagear a memória de um notório torturador, declarado e condenado como tal pela Justiça brasileira.”

Para Felipe Santa Cruz, há limites na imunidade parlamentar e trata-se de um caso de discurso de ódio.

“A imunidade é uma garantia constitucional fundamental à independência do Parlamento, mas não pode servir de escudo à disseminação do ódio e do preconceito. Houve apologia a uma figura que cometeu tortura e também desrespeito à imagem da própria presidenta. Além de uma falta ética, que deve ser apreciada pelo Conselho de Ética da Câmara, é preciso que o STF julgue também o crime de ódio”, concluiu a nota da OAB do Rio de Janeiro. (Com Agência Brasil)

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