Problemas intestinais como constipação crônica, diarreia, excesso de gases e distensão abdominal estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios de gastroenterologia. Segundo a médica Thaynara Brandão, do Instituto de Neurologia de Goiânia, o aumento desses sintomas está diretamente relacionado ao estilo de vida moderno, marcado por estresse crônico, alimentação ultraprocessada, sono inadequado e sedentarismo.

Ao Jornal Opção, a especialista explicou que o intestino é altamente sensível a fatores emocionais e comportamentais. “O estresse crônico e os maus hábitos alteram a microbiota intestinal, favorecendo gases, dor abdominal, diarreia ou constipação. Esses fatores também podem influenciar no surgimento de azia, refluxo e da dispepsia funcional, conhecida popularmente como gastrite nervosa”, afirma.

Entre os problemas mais comuns observados atualmente estão a síndrome do intestino irritável, a disbiose intestinal, caracterizada por desequilíbrio das bactérias do intestino, e intolerâncias alimentares, como à lactose. De acordo com a médica, essas condições costumam gerar impacto significativo na qualidade de vida, mesmo quando não há alterações visíveis em exames.

A médica destaca a diferença entre alterações intestinais funcionais e doenças intestinais propriamente ditas. “As alterações funcionais causam sintomas importantes, mas sem lesões estruturais detectáveis. Já doenças como câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou infecções apresentam alterações identificáveis em exames laboratoriais, endoscópicos ou de imagem”, explica.

Thaynara Brandão | Foto: Divulgação

Sobre a eliminação frequente de gases, a médica ressalta que se trata de um processo fisiológico normal. O sinal de alerta surge quando os flatos vêm acompanhados de dor, distensão abdominal importante, odor excessivo ou mudança recente do padrão intestinal. “Nesses casos, pode haver intolerâncias alimentares ou disbiose que precisam ser avaliadas”, orienta.

A ligação entre saúde emocional e funcionamento intestinal também é explicada pela especialista. Segundo ela, o chamado eixo cérebro-intestino explica por que ansiedade e estresse podem desencadear ou agravar sintomas digestivos. “Em pessoas predispostas, alterações emocionais podem levar à síndrome do intestino irritável e à alternância entre diarreia e constipação”, afirma.

Mudanças persistentes ou progressivas no hábito intestinal, especialmente quando surgem de forma aguda, exigem investigação médica. A médica alerta para sinais de alarme como dor abdominal intensa com despertar noturno, perda de peso não intencional, anemia e presença de sangue nas fezes. “Em pessoas acima de 45 a 50 anos, qualquer mudança recente merece atenção redobrada”, diz.

Quando procurar o especialista

Entre os sinais que exigem avaliação imediata estão sangue nas fezes, sobretudo em quem tem histórico familiar de câncer intestinal, perda de peso sem explicação, anemia, diarreia noturna, vômitos frequentes e dificuldade para engolir. “Esses sintomas não devem ser ignorados”, reforça.

A médica também alerta para os riscos da automedicação. O uso indiscriminado de laxantes, antidiarreicos ou medicamentos para gases pode mascarar doenças graves e atrasar o diagnóstico de condições como câncer, colites ou doenças autoimunes, a exemplo da doença celíaca.

Quanto aos exames, a recomendação é que a colonoscopia seja realizada como rastreamento a partir dos 45 anos, ou antes em casos de sinais de alerta ou histórico familiar. Testes de fezes também podem ser indicados conforme idade, sintomas e fatores de risco. “A frequência e o tipo de exame devem sempre ser individualizados pelo gastroenterologista”, completou.

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