É preciso combater estigmas de doenças mentais no Brasil, diz psiquiatra

Assunto foi tema de redação da prova do Enem. Estudos preliminares mostram aumento de casos durante pandemia

Elen Oliveira, psiquiatra | Foto: Murillo Maione / Divulgação

Tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio em 2021 estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira precisa ser muito mais que conhecido, combatido. A avaliação é da psiquiatra Elen Oliveira, que ainda aponta necessidade de mudar o modelo como os pacientes são tratados no Brasil.

Segundo dados da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em estudo realizado com 1.460 pessoas, em 23 estados em todas as regiões do país, entre março e abril de 2020, houve aumento de aproximadamente 80% dos casos de ansiedade e depressão, e de 40% dos casos de estresse.

O tema ainda é alvo de estudo na Universidade de São Paulo, que pretende investigar 30 mil pessoas. No entanto, a psiquiatra considera um tema de extrema relevância, visto que o preconceito e o estigma diante das doenças mentais e dos portadores de doença mental trazem sofrimento para os acometidos e atrasa a busca por ajuda e tratamento.

Segundo Elen Oliveira, vários estudos sobre estigma na saúde mental mostram que só o conhecimento não é suficiente. Ela avalia que saber sobre o assunto é importante para evitar o atraso na procura por tratamento e na cronicidade dos quadros. Mas que a melhor estratégia no combate do estigma é a inclusão.

Por inclusão ela entende que seria não marginalizar e alienar o doente mental e incluí-lo na sociedade tendo-o como parte da comunidade. A psiquiatra questiona o modelo de hospitais psiquiátricos de difícil acesso, no estilo manicomial. Também aponta que muitos pronto-socorros são “depósitos de indigentes” e até a maneira como dependentes de crack são tratados.

“Deixo esta reflexão para que possamos ultrapassar o conhecimento e partir para ação. E quando digo ação, não falo só cobrar do governo que algo seja feito, mas começar a mudança dentro do seu escopo de ação”, aponta.

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