“Estamos isolados”, diz professor da UFG que está no Peru e não tem permissão para embarcar para o Brasil

O professor doutor Edemilson Cardoso relata que ficou isolado, assim como todos os outros brasileiros no Peru, após todas as vias de acesso do País terem sido bloqueadas

O professor Edemilson Cardoso conta que foi pego de surpresa com o decreto presidencial que fechou os aeroportos do Peru, onde está há dois meses / Foto: Arquivo pessoal

A pandemia do coronavírus tem feito com que governos do mundo inteiro tomem medidas radicais para a contenção da ameaça invisível. O Peru, país latino-americano, é um deles. Recentemente, o presidente anunciou a adoção de algumas iniciativas que, literalmente, fecharam o país. Entretanto, o governante parece ter se “esquecido” dos turistas que lá estão, impossibilitando-os de deixar o lugar. Edemilson Cardoso, professor doutor da UFG, é um deles.

O pesquisador PhD da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás está há cerca de dois meses no Peru. Cardoso está no país usufruindo de uma licença especial da universidade, cedida a pesquisadores para o aperfeiçoamento de habilidades – no caso do professor, a Língua Espanhola.

Cardoso conta que estava com a viagem de volta a Goiás programada para esta semana, mas foi pego de surpresa, assim como todos os outros brasileiros que estão no Peru, quando o presidente Martín Vizcarra anunciou em rede nacional no último domingo, 15, o bloqueio de todas as vias de acesso ao Peru, num decreto de emergência sanitária. Aeroportos, canais terrestres e marítimas: todas fechados. Não há, literalmente, como entrar ou sair de lá.

Ao Jornal Opção, o professor, que está em Cusco, descreveu o cenário. “Estamos digerindo a informação do presidente ainda. A recomendação aos turistas agora é contactar a companhia aérea com a qual viajam, a fim de obter confirmação dos voos. Mas foi uma determinação do governo, as companhias não podem fazer nada”, disse. Cardoso contou que mesmo os meios de acesso mais simples por vias terrestres estão fechados. “Se abrissem o acesso por terra, eu poderia pegar a [rodovia] Transoceânica e entrar no Brasil pelo Acre, mas nem assim tem jeito”.

Cardoso contou que, no mesmo dia do anúncio do presidente peruano, entrou em contato com a embaixada do Brasil no Peru. Entretanto, ouviu como resposta inicial de que “aquelas eram as normas do país e ele deveria se submeter a elas”. A resposta o deixou ainda mais no escuro. “Não sou peruano, nem tenho dupla nacionalidade. O que nós podemos fazer diante disso?”. O professor revela que, atualmente, 3.700 brasileiros estão no país – todos na mesma situação.

Após ouvir a sugestão da embaixada, o professor insistiu e disse que ouviu da embaixada a promessa de que uma negociação estaria em curso para que o problema fosse resolvido. Ele teve que preencher um formulário enviado para ele, mas nada foi definido.”Nos pediram um prazo, mas até agora, nada. Eu estou no hotel, estou um pouco seguro. Mas tenho colegas que não tem mais dinheiro para ficar, nem onde ficar. Não fomos preparados, não fomos avisados”, declarou.

“Ninguém entra, ninguém sai”

O Peru, que tem 117 casos de coronavírus confirmados, tornou-se uma prisão para os estrangeiros que lá estão. A medida decretada por Vizcarra parece ter ignorado completamente os turistas em território peruano, uma vez que, segundo Cardoso, nenhum suporte ou ajuda por parte do governo foi recebida. “Ninguém entra, ninguém sai. A situação está assim”, disse.

Desde o anúncio do bloqueio das vias de acesso, o professor da UFG revela que tem tentado de todos os meios para voltar para casa. Além da embaixada, ele revela que encaminhou um e-mail para o Núcleo de Assistência a Brasileiros, departamento do Ministério das Relações Exteriores, explicando a situação e solicitando auxílio. Porém, o órgão ainda não enviou resposta alguma.

Em um apelo, gravado num vídeo enviado à reportagem pelo docente da UFG, ele fez um apelo pedindo providências do governo federal para sua retirada e a dos demais brasileiros do país que, no momento, se encontra isolado. “Nós temos família, temos trabalho, e temos uma série de compromissos no Brasil”, finalizou.

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