“Estamos caminhando para um cenário terrível. E não terá como enviar pacientes para outros estados. Estarão todos lotados”, afirma epidemiologista

João Bosco explica que as causas para o colapso na saúde é a circulação das novas variantes, em particular da Amazônia, aliada com a maior mobilidade da população

Goiás deve vivenciar nos próximos dez dias os piores desde o início da pandemia da Coronavírus. A afirmação é do médico epidemiologista e professor do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da UFG,  Dr. João Bosco Siqueira Júnior. Para ele, o que se tem visto nesta última semana é algo muito diferente do que ocorreu na primeira onda da pandemia, principalmente, pela velocidade em que os casos estão aumentando e a forma como recursos estão se esgotando.

João Bosco explica que as causas desta mudança é a circulação das novas variantes, em particular da Amazônia, conhecida como P1, aliada com a maior mobilidade da população. “A diminuição do cuidado, o aumento do contato entre as pessoas, das festas e aglomerações, e uma variante que tem mais capacidade de causar infecção. Essa combinação de fatores é ideal para uma tempestade perfeita”, pontua.

Para impedir que novas pessoas adoeçam, de acordo com o epidemiologista, é necessário aumentar o distanciamento social e os cuidados, o uso de máscara e a higienização. Além de ampliar as testagens e isolar os pessoas confirmadas com a doença, como por exemplo com tem feito países como o Reino Unido. “Apenas fechar a cidade não resolve. É preciso testar e isolar as pessoas contaminadas para diminuir o proliferação do vírus”, destaca.

Colapso

O médico acredita em um colapso da saúde no Brasil nos próximos dias. Segundo ele, diferentemente do que ocorreu durante a primeira onda, atualmente todos os estados estão com alto índice de contaminação.

“Não tivemos essa sincronicidade como nós estamos vendo nessa segunda onda, afetando todo mundo ao mesmo tempo e a consequência será a falta de profissionais da saúde. Podemos até abrir mais leitos, mas não teremos pessoas para trabalhar. Vai faltar UTI. E não terá como enviar pacientes para outros estados porque também estarão lotados. Estamos caminhando nessas próximas semanas realmente para um cenário terrível”, analisa.

O professor do IPTSP lembra da capacidade do Brasil em realizar com qualidade uma campanha de vacinação, com um programa de imunização reconhecido mundialmente, sendo um dos mais bem sucedidos do mundo, gratuito e universal. No entanto, para ele, não houve planejamento e liderança em relação a vacinação contra a Covid-19.

“Eu não antevejo ao logo do ano de 2021 uma melhora grande na questão da pandemia. O Brasil nunca teve problema em vacinar. Todo mundo sempre apoiou. E, agora, estimulados principalmente pelo presidente [da República] começaram a questionar a vacina. Isso é um retrocesso. Na hora que você mais precisa, na maior crise em saúde pública, isso muda sem ter nenhuma base científica, apenas só por ignorância. Como que se combate isso?”, lamenta.

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