Estados cobram envio de equipamentos de proteção pelo Ministério da Saúde

“Insuficiência de EPIs nos estados tem consequência grave: a redução da força de trabalho”, alerta Conass

Foto: AlexPazuello /Prefeitura de Manaus

As remessas de equipamentos de proteção individual (EPIs) feitas pelo Ministério da Saúde aos estados são insuficientes. A denúncia partiu do secretário executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Jurandir Frutuoso, durante reunião na Câmara dos Deputados sobre ações de prevenção e combate ao coronavírus no Brasil.

“A angústia continua forte, porque a insuficiência de EPIs nos estados tem consequência grave: a redução da força de trabalho – por adoecimento dos profissionais e por medo”, alertou Jurandir, lembrando que a pandemia ainda está a caminho do pico.

O secretário executivo do Conass citou alguns dados comparando as necessidades dos estados para os próximos três meses e o material efetivamente enviado pelo ministério até o momento:

– Aventais hospitalares – 21,2 milhões são necessários e estão em processo de compra pelos estados; 674 mil foram enviados pelo ministério.

– Luvas de látex – são necessários 222 milhões; 15,8 milhões entregue pelo ministério.

– Máscaras de proteção respiratória – 15,9 milhões são necessárias; 1,2 milhão foram enviados.

– Óculos de proteção – estados previram a necessidade 2,1 milhões; 59,4 mil foram entregues.

– Protetores faciais de acrílico – 452 mil são necessários; nenhum foi enviado pelo ministério.

– Toucas hospitalares descartáveis – 32,2 milhões são necessárias; 12 milhões foram enviadas.

Além disso, dos 452 mil protetores faciais de acrílicos solicitados, nenhum foi enviado pelo ministério aos estados.

De acordo com Jurandir, os recursos enviados pelo ministério aos estados até agora foram absorvidos sobretudo para a expansão da rede, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) estava desestruturado, pela falta de investimento ao longo dos últimos anos.

Segundo ele, o Brasil hoje não tem capacidade de produzir equipamentos básicos, como máscaras, e existe uma dificuldade de compra dos produtos do mercado internacional. “A competição internacional debilitou mais o poder de compra do Brasil, que não consegue competir com os grandes, como EUA, Inglaterra e Alemanha”, disse. Diante dessa realidade, alguns estados do Nordeste como Ceará e Maranhão compraram por conta própria.

Recursos já repassados

O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Willames Freire, afirmou que o ministério já repassou para estados e municípios R$ 5 bilhões para a reorganização das redes e compra de EPIs – recursos a serem usados de forma livre.

Porém, segundo ele, os municípios não conseguem comprar os equipamentos, porque as distribuidoras nacionais não têm o produto, eles não tem acesso às grandes importações, além de o preço ser exagerado. Alguns estados conseguiram comprar por conta própria, como Ceará, mas isso teria sido uma “verdadeira mágica”.

Esperamos que ministério faça grandes compras prometidas

De acordo com Freire, os municípios esperam que governo federal utilize seu maior poder de compra para importar os produtos e descentralize sua compra. “Esperamos que ministério faça grandes compras prometidas e faça a distribuição”, disse.

Secretário executivo adjunto do Ministério da Saúde, o coronel Antônio Elcio Franco Filho afirmou que a intenção do órgão, ao enviar recursos para os estados, era que cada município se preparasse de acordo com a sua realidade, por isso o dinheiro não foi carimbado para ser usado especificamente para a compra de EPIs.

Em relação à distribuição de EPIs, insumos, respiradores e vacinas pelo ministério, ele disse que o material foi enviado para as secretarias estaduais de saúde, para que coordenassem a distribuição de materiais aos municípios.

Ele informou ainda que o órgão estuda implementar a utilização de hotéis por profissionais de saúde contaminados, para que não retornem às suas casas pelo período necessário, mas ainda não há data prevista para o início da ação. O coronel concorda que é preciso ampliar o diálogo com Conass e Conasems, para se ter a “real fotografia” da situação nos estados e municípios. (Com informações da Agência Câmara)

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