Na quinta-feira, 28, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), reafirmou que os usuários do transporte coletivo da cidade não irão pagar o reajuste da passagem para R$ 8,20, autorizado em decisão liminar da Justiça a favor da concessionária Urban. O chefe do Executivo municipal assegurou que a gestão já recorreu da determinação e que, “custe o que custar, não vamos transferir essa conta para quem mais sofre com o transporte público em Anápolis”.

A declaração foi dada durante uma vistoria às obras do Anel Viário do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), acompanhada pelo presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales. Em tom crítico, Márcio não poupou a empresa Urban, responsável pelo transporte coletivo no município. Segundo ele, a concessionária não cumpre cláusulas contratuais e presta um serviço de baixa qualidade.

“Hoje Anápolis paga o serviço mais caro do Estado e recebe um serviço péssimo, com ônibus sucateados e pontos em condições precárias. Essa conta não vai ficar para o cidadão, não vai ficar para quem usa o transporte público. Nós já estamos recorrendo na Justiça e, se não houver acordo, vamos buscar outras alternativas, inclusive chamamento emergencial de novas empresas”, disse.

A polêmica começou após o juiz Fabiano de Aragão Fernandes, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal e Registros Públicos, autorizar, em caráter liminar, a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato entre a Prefeitura e a Urban. O cálculo da Justiça fixou o custo contratual em R$ 8,19 por passageiro, valor considerado excessivo pela gestão municipal.

Enquanto a discussão segue no Judiciário, a Urban depende de repasses da Prefeitura para honrar o acordo trabalhista firmado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Anápolis (Sittra), homologado em julho pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O prazo final para pagamento termina no próximo 5 de setembro.

O acordo prevê 5,2% de reajuste salarial e uma série de benefícios adicionais, como aumento de 6% no tíquete alimentação, 10% no desjejum, acréscimo de R$ 30 no troco transportado, pagamento fixo de R$ 141,76 a motoristas que também atuam como cobradores, criação de rota para turnos noturnos e ainda um bônus de R$ 1 mil no tíquete de férias.

Em sua fala, o prefeito destacou que a Urban não tem cumprido obrigações contratuais. De acordo com ele, a frota deveria ter média de quatro a cinco anos de uso, mas atualmente ultrapassa nove anos. Além disso, a empresa descumpre a manutenção de abrigos nos pontos de ônibus.

“O contrato é claro. Se não quer prestar o serviço, que deixe para quem queira trabalhar. O que não vamos aceitar é o anapolino pagar caro e continuar com um transporte precário”, declarou Márcio. Ele também questionou os números apresentados pela concessionária, que afirma sofrer prejuízo mensal de R$ 2 milhões. “Eles apresentam planilhas próprias, sem auditoria. Se esse prejuízo existisse há tantos anos, nenhuma empresa se sustentaria”, rebateu.

Reação sindical e risco de greve

O Sittra, por sua vez, já notificou diferentes entidades da cidade, incluindo a Prefeitura, a Câmara Municipal, a Polícia Militar e representantes empresariais como a Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O objetivo foi alertar para o risco de paralisação do transporte coletivo, caso os valores do acordo não sejam repassados dentro do prazo estipulado.

O sindicato argumenta que a recomposição é necessária para garantir direitos trabalhistas e a manutenção das operações. No entanto, para a Prefeitura, essa conta não deve ser transferida diretamente para a população, que já enfrenta as dificuldades de um serviço considerado caro e defasado.

Durante sua fala, Márcio reforçou que os anapolinos podem ficar tranquilos quanto ao futuro da tarifa. “Quero reafirmar aqui, a passagem não vai ser aumentada. Custe o que custar, não vamos transferir essa conta para quem mais sofre com o transporte público em Anápolis”, assegurou.

Leia também:

Grande Goiânia tem a oitava tarifa do transporte coletivo mais barata do país entre as capitais, veja lista

Entenda por que tarifa técnica do transporte coletivo subiu, mas valor pago pelo passageiro deve continuar o mesmo