Especialista diz que casos de febre amarela não são motivo para desespero

Boaventura Braz destaca que duas vacinas bastam para imunizar contra a doença e que Goiás tem boa imunização da população

Boaventura Braz de Queiroz sintomas são olhos amarelados, náusea e vômitos | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O ano de 2017 começou marcado pela febre amarela, que já vitimou pelo menos 24 pessoas nos primeiros dias de janeiro. 23 das vítimas confirmadas moravam no leste de Minas Gerais e, na quinta-feira (19/1), uma outra pessoa também morreu em Brasília (DF). O número de casos notificados em Minas, no entanto, chega a 206.

Segundo o médico infectologista Boaventura Braz, no entanto, não há motivo para pânico. Ele lembra que a proteção da vacina dura mais de dez anos e que duas doses bastam para a vida inteira. A vacina contra a doença está disponível da rede pública de saúde gratuitamente, e também é possível encontra-la na rede privada.

Boaventura acrescenta ainda que a região do Centro-Oeste é considerada endêmica, e por isso, a vacina é incluída no calendário de vacinação da população em geral, desde a infância. “A Região Nordeste, por outro lado, não é considerada endêmica. A pessoa que migra para cá vindo de lá, então, deve tomar cuidado”, acrescentou ele.

Normalmente, as crianças tomam a primeira dose logo após completar um ano e a segunda dose entre os quatro e seis anos. Caso o adulto cheque seu cartão de vacinação e perceba que ainda não se preveniu, deve tomar duas doses em um intervalo de no máximo 30 dias. Se ele já tiver sido vacinado duas vezes, não precisa mais receber a dose. A partir de 60 anos, entretanto, a imunização não é indicada.

Febre amarela

O médico explica que a febre amarela é uma doença que se manifesta inicialmente com um quadro de doença viral comum, com sintomas de febre, mal-estar e dor no corpo. Normalmente, estes sinais desaparecem em cerca de três, quatro dias. No entanto, se o quadro se complica, eles voltam subitamente.

É nesta segunda onda que costumam se manifestar os sintomas mais característicos, como olhos amarelos, mal-estar, com náuseas, vômitos e indisposição. “Se o paciente não procurou um médico na primeira onda, vale procurar um profissional de saúde caso os sintomas retornem”, indicou ele.

Ele acrescenta ainda que epidemias de febre amarela em macacos são recorrentes de oito a dez anos, como está ocorrendo atualmente. “Quando o vírus circula no meio silvestre, ele extermina todos os macacos que não são resistentes e, neste ciclo, demora em média oito anos para criar uma população de macacos suscetíveis novamente”, esclarece.

Por essa grande capacidade de dispersão no meio silvestre, as populações mais suscetíveis são as que moram ou trabalham no campo e ainda não foram vacinadas. O vetor da região silvestre é o mosquito Haemagogus. O Aedes aegypti pode ser um vetor em áreas urbanas, mas não é tão “eficiente” quanto o primeiro.

No Estado de Goiás, não há surtos desde 2008. Novos casos foram registrados em 2015 e 2016, após seis anos sem notificações. Foram seis casos em 2015, com quatro mortes, e em 2016, foram três óbitos. Até agora, em 2017, não há registro de suspeita da doença.

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