Espanha tem seu “Maracanazo”. Mas vexame de campeã não é coisa inédita

A vergonha nunca foi tão “roja”. Só que outros campeões  — inclusive o Brasil — também já fizeram suas patacoadas históricas

Foto: EFE

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Enquanto o som ao redor se enche de “Chi-Chi-Chi, Le-Le-Le!”, o pessoal está por aí falando que a Espanha se despediu da Copa já na segunda partida. Na verdade, não se despediu: quem se despede tem de, antes, chegar a vir. A verdadeira “Fúria” ficou em casa. Trouxe clones ao Brasil.

A começar do goleiro. À exceção de uma defesaça em um belo chute de Robben, Casillas fez um Mundial terrível. Vai ser o maior crucificado pelos jornais espanhóis, que em verdade já gostam de uma boa tragédia.

Em geral campeões mundiais nunca tiveram vida fácil na Copa seguinte ao título. A começar do Brasil de 1966, que chegou à Inglaterra com mais pompa que a rainha Elizabeth, carregando a coroa de bicampeão. Resultado: uma seleção desorganizada dentro e fora de campo, Pelé machucado e a eliminação na 1ª fase ainda.

Em 1986, a Itália tricampeã quatro anos antes fez um pouco melhor, mas não evitou o adeus precoce: passou da 1ª fase, mas ficou logo nas oitavas-de-final, eliminada pela França.

Novo vexame de campeã se veria apenas em 2002, quando a França que havia batido o Brasil na final de 1998 não conseguiu vencer um jogo sequer. Mais do que isso: não fez gols! Perdeu na abertura para o estreante Senegal por 1 a 0, empatou em zero com o Uruguai e perdeu para a Dinamarca por 2 a 0. Um vexame, com Zidane e tudo.

A Itália seria campeã em 2006 e novamente protagonizaria uma vergonha na Copa seguinte: conseguiu ser a lanterna de um grupo com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Dois empates e uma derrota e passagem de volta antecipada. Mamma mia.

De qualquer forma, a Espanha bate um recorde negativo: conseguiu ser eliminada mesmo antes do último jogo. Vai celebrar o próprio réquiem contra a Austrália. Como não há nada tão ruim que não possa piorar um pouco, se perder, corre sério risco de ser a última colocada entre as 32 seleções do Mundial. A vergonha nunca foi tão “roja”.

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