Escolha melhor os alimentos que você compra no supermercado, alerta especialista

Uma rápida verificação na lista de ingredientes e propriedades nutricionais dos produtos pode ajudar em uma vida mais saudável

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Escolher os produtos pelo menor preço. É assim que você define as compras de mantimentos para sua casa? Se for, mude o hábito imediatamente. De acordo com a nutricionista especialista em nutrição esportiva e comportamental Laura Vieira Carvalho o gasto pode ser maior ainda no futuro quando, a longo prazo, os produtos industrializados, que normalmente são os mais baratos, trouxerem malefícios à sua saúde.

A dica é válida porque, com a quantidade de opções que existem ao alcance do consumidor hoje, não é difícil ser mais atento e escolher produtos mais saudáveis lendo, por exemplo, o rótulo para descobrir se vale a pena ou não comprá-los. Mas, pra isso, Laura diz que é preciso se atentar a detalhes simples.

Primeiro, diz a nutricionista, quanto menos ingredientes o produto tiver, melhor. “Conte sempre quantos ingredientes tem os produto que você costuma comprar, observe a quantidade e tente limitar, comprando alimentos que não contenham mais do que cinco elementos na lista, além claro, de produtos in natura como frutas, verduras e cereais”, ensina.

Outra orientação considerada indispensável pela profissional é perceber a ordem em que os ingredientes estiverem escritos. “Os componentes são sempre colocados em ordem de quantidade no produto, então o primeiro é sempre o que tem mais em porção na receita do alimento. Então, se for comprar qualquer coisa e o primeiro for açúcar ou derivados de xarope, evite”, aconselha.

A funcionária pública Lilian Farias diz que segue estas dicas e garante que vale a pena, mesmo fazendo as contas e percebendo que gasta um pouco a mais no supermercado. À reportagem, ela revela que passou a gastar uma média de 30% a mais por mês agora que seleciona melhor os alimentos do que antes quando comprava pelo preço sem olhar os rótulos. “Eu acredito que é melhor assim, eu sinto a diferença na disposição diária, na funcionalidade do meu intestino, na pele e também consigo manter meu peso com mais facilidade.”

Ultraprocessados

O ideal mesmo, ainda de acordo com a nutricionista, seria abolir ao máximo os produtos ultraprocessados. Classificação, inclusive, criado pelo médico brasileiro e coordenador do núcleo de pesquisas epidemiológicas em nutrição e saúde da USP, Carlos Augusto Monteiro.

O chocolate snickers possui em sua composição mais da metade de açúcar do que uma pessoa precisa por dia | reprodução

Para o médico, “estes produtos nem são alimentos propriamente ditos, são fórmulas industriais caracterizadas por ter ingredientes como sal, açúcar, gordura e aditivos que proporcionam baixo custo e resultam em algo atraente”. Dentre estes produtos estão barras de doces, ketchups, enlatados, embalagens de comida congelada, refrigerantes, achocolatados e uma infinidade de outros.

Mas porque abolir estes produtos da alimentação? Considerando que o corpo humano precisa consumir, diariamente, certas porções de nutrientes, itens ultraprocessados acabam atrapalhando essa rotina. Por exemplo, uma pequena barra de chocolate Snickers possui 13 gramas de açúcar, quando o recomendado pela OMS é uma ingestão de 25 gramas por dia, em média. Ou seja, ao consumir o chocolate, mais da metade de açúcar que o corpo precisa em um dia, já foi ingerida.

Isso sem falar do sódio (ou sal) que também existe em alimentos doces, xaropes, e outros componentes que causam doenças como gastrite, diabetes, hipertensão, colesterol elevado e obesidade — mal que já assola mais da metade da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde.

Rótulos que induzem ao erro

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Para se livrar dos ultraprocessados, entretanto, ficar atento aos rótulos dos produtos nem sempre é de muita ajuda. Isso porque este tipo de alimento pode passar facilmente a impressão de um produto saudável, dependendo de como a marca escolhe exibir as “informações nutricionais”.

Hoje, um salgadinho com excesso de sal e gorduras saturadas pode exibir no rótulo que promoveu uma redução de 20% nesses dois itens. Um pão com alto índice de sal e gorduras saturadas pode se declarar como “fonte de fibras”. E até mesmo uma margarina com excesso de sal, gorduras e gorduras saturadas pode dar a entender que faz bem para o coração.

Para coibir esta prática, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem estudado limitar ou até proibir as famosas “informações nutricionais” em rótulos de alimentos ultraprocessados que utilizam deste meio para dar impressão de um produto mais saudável.

A medida está conectada à definição de um padrão de rotulagem frontal para esses produtos e é prevista no relatório apresentado na última segunda-feira (21/5) pelo diretor-presidente da agência, Jarbas Barbosa. A Anvisa admite que a situação atual induz o consumidor a erro.

“Esse cenário é agravado pela fragilidade dos critérios de composição para veiculação de alegações nutricionais, que não coíbem alimentos com quantidades elevadas de nutrientes negativos de ostentarem destaques sobre suas qualidades nutricionais positivas nos rótulos”, afirma o diretor.

Dentre as possibilidades de mudança analisadas pela Anvisa está a proibição total das alegações nos produtos que sejam alvo da rotulagem nutricional frontal.  A agência também oficializou a proposta de adoção de alertas em alimentos industrializados com excesso de sal, açúcar e gorduras saturadas.

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