“Errei, mas não cometi crime”, diz Demóstenes Torres em entrevista à TBC

Ex-senador comentou sobre operações Monte Carlo e Vegas, que apuraram sua suposta ligação com o contraventor Carlinhos Cachoeira

Roda de entrevistas com ex-senador Demóstenes Torres (PTB) | Foto: Divulgação/TBC

O ex-senador Demóstenes Torres (PTB-GO) participou do programa “Roda de Entrevistas”, da nova TV Brasil Central (TBC), nesta terça-feira (13/3). A sabatina contou com a presença do ex-editor online do Jornal Opção, Alexandre Parrode, e a jornalista Fabiana Pulcineli, do jornal O Popular.

Questionado sobre as operações Monte Carlo e Vegas, que apuraram sua suposta ligação com o contraventor Carlinhos Cachoeira, Demóstenes afirmou que se sente injustiçado, mas garantiu que mudará suas atitudes a partir de agora. “Não teria as mesmas conversas. Aprendi a lição: além de ser honesto, preciso parecer honesto. Acho que errei, peço perdão pelo meu erro, mas não cometi crime”, disse.

Em novembro do último ano, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou, por unanimidade, o mandado de segurança impetrado pela defesa do ex-senador, movido contra o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que instalou um procedimento administrativo disciplinar (PAD) e o afastou das funções de procurador de Justiça em 2014. Esse era o último processo envolvendo o ex-senador no caso.

Sobre a investigação, que foi arquivada por falta de provas, Demóstenes ameaçou que, até que o processo seja prescrito, todo e qualquer brasileiro que tiver provas as apresente para que a investigação seja reaberta. “Qualquer um que achar algo contra mim que traga à Justiça para que eu seja investigado”, orientou.

O petebista também tenta reaver seu mandato no Congresso Nacional ainda este ano. A defesa do ex-senador protocolou este mês no STF pedido de anulação de seu processo de cassação, ocorrido em 2012 após ele ser acusado de usar o mandato para favorecer o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Se o pedido for atendido, ele pode disputar uma vaga ao Senado nas eleições do próximo ano.

Sobre a medida, Demóstenes disse que confia na decisão. “Se o Supremo não me der a decisão eu desisto da candidatura até 6 de abril. Não é por arrogância, mas a verdade está do meu lado eu vou ganhar de novo”, afirmou.

Ele, inclusive, negou qualquer interesse em disputar outros cargos. “Não desejo ser candidato a governador nem vice nem deputado. Eu saí do Senado e quero retornar”, garantiu.

Caiado

Em 2015, em artigo publicado no jornal Diário da Manhã, Demóstenes criticou a postura política de Ronaldo Caiado, acusando-o de manter ligações com Cachoeira. Durante a entrevista à TBC, o ex-senador afirmou que considera o caso encerrado, mesmo tendo prometido na época provas de que Ronaldo fazia sim parte da rede de amigos do bicheiro.

“Ele ameaçou me processar, mas como não processou eu entendo que este papo já deu o que tinha que dar.” Ponderou, no entanto, que ele não é o nome mais adequado para governar Goiás pelos próximos quatro anos. “Eu entendo que mudar é bom, mas não mudar para pior.”

Penduricalhos

O pagamento de auxílio-moradia, que gerou polêmica nos últimos meses e até provocou anúncio de paralisação por parte de juízes foi criticado pelo ex-senador.

“[Os penduricalhos] são absurdos. Auxílio-moradia não recebo. Não faz parte do meu projeto receber qualquer espécie de auxílio”, afirmou.

Por fim, ele apenas defendeu o auxílio-livro, dizendo que pode até ser dispensável, mas não imoral, como os outros. O ato foi regulamentado pelo procurador-Geral de Justiça Benedito Torres Neto, irmão de Demóstenes.

Segunda instância

Durante entrevista, o ex-senador também se mostrou contra que se cumpra pena em regime fechado a partir da segunda instância.

Em 2016, a maioria dos ministros do Supremo entendeu que a pena pode começar a ser cumprida após a condenação em segunda instância. Mas, atualmente, há ações em análise na Corte que visam mudar esse entendimento.

Cabe à presidente da Corte, Cármen Lúcia, definir sobre a inclusão do tema na pauta de julgamentos, mas ela afirmou que não cederá às pressões.

“Para antecipar a pena para segunda instância tem que mudar a Constituição. Sou favorável à punição dessa turma mas não vou bater palma para coisa errada”, explicou, dizendo que o ministro Gilmar Mendes cumpre rigorosamente a Carta Magna.

Segurança Pública

Por fim, Demóstenes, que já foi secretário estadual de Segurança Pública, elogiou a recente intervenção militar no Rio de Janeiro.

“A intervenção é fantástica. É preciso botar o exército na rua. O brasileiro quer ter segurança”, explicou.

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