Entenda como suspeitos conseguiram fazer mandados de prisão contra Lula e Alexandre de Moraes no sistema Judiciário
05 fevereiro 2026 às 15h24

COMPARTILHAR
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quinta-feira, 5, uma operação para desarticular um esquema de fraudes cibernéticas que atingiu sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). De acordo com as investigações, os suspeitos conseguiram inserir, alterar e até excluir dados oficiais, incluindo falsos mandados de prisão que atingiram o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Segundo a delegada Sabrina Leles, que também é titular do Núcleo de Inteligência do TJGO, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Iporá, Goiânia e no Distrito Federal. O acesso ao sistema foi através de duas credenciais de servidoras do TJ-GO que foram subtraídas. A principal suspeita é que o grupo teve acesso às credenciais após encontrar uma falha do sistema, seja por meio de malware, vírus ou por acesso a links maliciosos, que contribuíram com a captura do usuário e senha.
Dentro do sistema, o grupo realizou todo tipo de alteração, chegando, a esse primeiro momento, em mais de 100 mudanças realizadas com apenas um usuário. “Nós verificamos que, através da subtração dessas credenciais, eles montam PECs, que são pacotes de dados com essas credenciais e comercializam em plataformas de mensageria, como Discord, Telegram e tantas outras. Ali existem valores altos que são comercializados, essas possibilidades de baixa, de cumprimento fraudulento, de mandados de prisão, que beneficiam, infelizmente, ou que tentam beneficiar criminosos integrantes de facções altamente perigosas”, explica a delegada.
Apesar disso, ela afirma que não houve prejuízo para qualquer cidadão ou até mesmo benefício para algum criminoso com essas alterações. “Em relação à investigação específica da Operação Lex Data, não. Todas as alterações foram imediatamente verificadas e corrigidas. Aqueles mandados que fraudulentamente foram inseridos foram cancelados, a exemplo dos dois mandados em relação ao ministro do STF e ao presidente da república. Os demais também foram excluídos. Os que haviam sido alterados também foram corrigidos, quer dizer, se restabeleceu a ordem de prisão para aqueles criminosos que estão foragidos”, pontua.
Adolescente envolvido
As investigações apontam ainda que um adolescente, de 15 anos, seria o responsável por fazer a inserção do mandado de busca e apreensão de Lula e Moraes no sistema. A delegada explica que esse menor estaria usufruindo de uma vida de luxo, com um grande volume de movimentação financeira, mas descarta que ele tenha agido a mando de terceiros.
“Ele está fora da rede de educação há dois anos, quer dizer, não está sequer matriculado numa escola, e isso certamente será verificado, tanto pelo Ministério Público, pelo Judiciário, em relação à responsabilidade reflexa que os pais talvez tenham em relação ao comportamento, as ações, as atitudes delituosas desse adolescente. Mas não, ele não segue a ordem de nenhum criminoso que lhe imponha algum tipo de ação. Ele verdadeiramente atua por ação própria”, destaca.
As investigações ainda contaram com o apoio da Polícia Civil de Minas Gerais. De acordo com o delegado Marceleandro Silva, uma credencial de um policial penal foi subtraída no estado, o que possibilitou a mesma movimentação no sistema do CNJ. “De forma técnica e segura, o próprio CNJ faz a comunicação aos tribunais para que eles verifiquem se isso aconteceu ou não. Diante desse fato, montamos uma força-tarefa em Minas Gerais. A gente conseguiu verificar que o grupo, que já vem sendo investigado por Goiás, conseguiu alterar diversas pessoas no Banco Nacional de Mandados de Prisão e não só no Banco Nacional de Mandados de Prisão. Durante as entrevistas e outros elementos, conseguimos descobrir também que eles conseguem avançar outros elementos do sistema, milhas de aeronaves e isso vai ser desdobramento de outras investigações. Quanto ao Poder Judiciário mineiro, a gente fica tranquilo porque todos também já foram revistos, todos já foram reavaliados e foram trazidos à normalidade para confirmar se aquelas pessoas estavam em liberdade ou verdadeiramente tinham sido presas”, pontuou.
As investigações seguem para identificar outros envolvidos, rastrear a venda das credenciais e apurar crimes como invasão de sistema, falsidade documental e associação criminosa.
Leia mais: A tensa reunião entre Gayer, Magda, Wilder e Valdemar Costa Neto em Brasília

