Ensaios por chamada de vídeo, autorretratos e cursos on-line: a fotografia em tempos de pandemia

Profissionais goianas buscam engajamento nas redes e usam momento para se reinventar e aprimorar trabalho

A pandemia do novo coronavírus impôs uma série de restrições e até inviabilizou a atividade de uma série de trabalhadores, é o caso de profissionais que atuam no ramo da fotografia. E, em meio às incertezas de quando retornarão às atividades, três profissionais goianas relatam como estão lidando com o momento atual. Novos projetos e engajamento nas redes sociais são algumas das apostas para encarar os dias de isolamento social.

Para Thayná Christina, que trabalha com retratos femininos, a pandemia criou a necessidade de se reinventar. A profissional explica que tem produzido mais conteúdo para a internet, o que tem gerado um bom retorno e conexão com antigos e futuros clientes. “Algumas personalidades trainee estão fazendo aula com vídeo chamada, as escolas estão tendo as aulas on-line, e a fotografia não poderia ficar de fora”, destaca.

Neste cenário, alguns fotógrafos começaram a realizar ensaios por chamadas de vídeo, com o objetivo de se adequarem a essa nova realidade. Segundo Thayná, a qualidade desse tipo de ensaio não é a mesma de um trabalho presencial, mas ela garante que com o uso do FaceTime, aplicativo usado por ela para esse tipo de registro, consegue um bom resultado. “O ensaio é formado por vários aspectos e o mais importante deles é a conexão que você faz com seu cliente”, detalha.

A fotógrafa fez uma primeira experiência e postou o trabalho nas redes sociais, o que chamou a atenção de muitas mulheres. “Foi uma novidade. E como é algo mais versátil elas amaram a ideia. Foi aí que percebi que a aceitação foi ótima e decidi abrir vagas, com um preço bem acessível”, explica, ao detalhar que após o clique é preciso caprichar na edição da foto. “Algumas pessoas podem achar que é fácil fazer um ensaio assim, mas o fotógrafo estudou para isso, ele tem noção de luz, ângulo, direção. E isso faz total diferença”, encerra.

A fotógrafa Talitha Nery afirma que a pandemia afetou principalmente os autônomos que dependem exclusivamente do seu trabalho diário e não possuem garantias trabalhistas. “Com a falta de apoio do governo e dificuldade para conseguir o auxílio emergencial, tenho visto que vários fotógrafos estão trabalhando. A verdade é que não dá nem para julgar. Afinal as pessoas precisam pagar contas, colocar comida dentro de casa”, analisa.

“Eu optei por não trabalhar. Foi uma decisão muito difícil, mas que eu precisei tomar diante do cenário nebuloso que nós temos hoje. A cada cliente que me procura e eu recuso, confesso que dói porque ficar parada não está sendo fácil. Porém, eu acho que jamais me perdoaria se eu fosse fotografar um cliente, pegasse vírus e contaminasse uma outra pessoa”, diz Talitha, que tem aproveitado o momento para estudar e aprimorar seu trabalho.

A profissional afirma que tem acompanhado o trabalho de fotógrafos de outras partes do país que também pararam e que a cada dia tentam se reinventar e pensar no que que vai ser o futuro da fotografia. “É um momento de mudança profissional e também pessoal. Quando eu voltar com certeza vou encontrar um mercado de trabalho diferente e vai ser necessário que eu seja uma profissional diferente. Eu acho que as atitudes que a gente está colocando em prática agora vão refletir muito no profissional que a gente vai ser no futuro e no que os nossos clientes esperam de nós”, conclui.

A fotógrafa Mirian Olimpia está focada em gerar conteúdo no sentido de incentivar as pessoas fazerem autorretratos. “É um incentivo para que as mulheres tenham esse olhar cheio de autoestima e cuidado, que é algo que eu desenvolvo no meu trabalho”, explica.  “Como não estou conseguindo fazer os ensaios presenciais essa é uma saída que gera conteúdo e, no futuro, estudo fazer ensaios por chamadas de vídeo para meu portfólio também”, acrescenta. 

“Nós, fotógrafos, já temos uma profissão instável, e neste momento está muito mais instável. Mas, acredito que quando a pandemia passar e as pessoas voltarem a sonhar e a desejar registrar seus momentos felizes será um momento muito bom para a gente”, encerra a profissional que irá lançar em breve o curso on-line de autorretrato.

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