Engenheiro responsável pelo BRT discorda de prefeito e defende projeto original da obra

Segundo engenheiro da CMTC, o corredor exclusivo de transporte coletivo irá preservar e revitalizar a Avenida Goiás; Iris havia dito que obra iria “violentar” a via

Responsável técnico pelo projeto em reunião da comissão especial temporária que investiga obras do BRT | Foto: Marcelo do Vale

O engenheiro da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) responsável pelo BRT Norte-Sul, Benjamin Kennedy Machado da Costa, afirmou ser contrário a modificações no projeto original da obra. O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), disse aos vereadores, durante prestação de contas, que pretende alterar o projeto, fazendo dois BRTs.

“Vamos violentar a Avenida Goiás se não se justifica tanto? […] Por que violentar a Praça Cívica com esse trambolho de concreto? Para que? Estragar o canteiro do Centro? Na minha opinião pessoal, teríamos que fazer dois BRTs: um da região Norte até a rodoviária e o outro nos ligando Aparecida”, defendeu o prefeito na época.

Durante reunião da comissão da Câmara que investiga o BRT nesta terça-feira (11/4), o engenheiro rebateu o prefeito e disse que o projeto irá não só preservar, mas revitalizar a Avenida Goiás. Segundo ele, serão realizadas obras estruturais importantes, como drenagem — que pode acabar com os alagamentos na região — e a troca do asfalto.

Benjamin ressaltou, ainda, que o projeto não deve ser alterado, porque isso acarretará em mais atrasos na execução da obra. A obra do BRT Norte-Sul estava prevista para ser entregue em março deste ano, mas foi postergada para o final de 2017.

A obra

Patrocinada pelo governo federal, a obra do BRT é um dos principais projetos da gestão do ex-prefeito Paulo Garcia (PT). O corredor exclusivo de transporte coletivo terá 21,8 quilômetros de extensão, do Terminal Cruzeiro do Sul, em Aparecida de Goiânia, até o Terminal Recanto do Bosque, na Região Noroeste de Goiânia. Serão 148 bairros atendidos, com expectativa de 120 mil usuários por dia.

Segundo o projeto, não somente vai mudar o transporte coletivo de Goiânia, mas também influenciará no aspecto urbanístico da cidade. As calçadas, por exemplo, serão refeitas, padronizadas com acessibilidade total dentro de critérios ambientais. A obra vai impactar na organização do trânsito e proporcionará mais segurança viária, já que todo o trecho receberá nova iluminação, sensores e câmeras de monitoramento com funcionamento 24 horas.

Orçado em R$ 242,4 milhões, este é o maior investimento em mobilidade urbana da história de Goiânia e deverá corrigir o desequilíbrio existente no sistema de transporte da capital, já que a maioria dos corredores da cidade é no sentido Leste-Oeste. O projeto prevê um corredor exclusivo e vai demandar a construção de três novos terminais (Correios, Rodoviária e Perimetral), além da reconstrução dos terminais Isidória e Recanto do Bosque, mais a adaptação do terminal Cruzeiro. Ao todo, serão 39 estações de embarque e desembarque com atendimento em 148 bairros de Goiânia e Aparecida de Goiânia.

A frota completamente nova será composta por 82 veículos, dos quais 30 serão articulados e outros 52 convencionais, capazes de transportar até 12 mil passageiros por hora em horário de pico. O Centro de Con­trole e Monitoramento será responsável pelo domínio dos horários das viagens nos terminais, supervisão da operação das linhas, entre outras atividades de inspeção operacional. Haverá, ainda, o serviço de informação eletrônica aos passageiros, segundo o projeto original.

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