Encontro de Bolsonaro com governadores prova que a responsabilidade e a sensatez venceram

Nenhum governador esteve em Brasília para beijar a mão do presidente. A criação de um comitê para combater a pandemia prova que os governadores venceram

Ronaldo Caiado, governador de Goiás: falou como porta-voz dos governadores até por ser um médico experimentado | Foto: Reprodução

O Brasil está em guerra. A maior guerra de sua história. Uma guerra civil. Com 300 mil mortos. Devido às duas bombas atômicas dos Estados Unidos, em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, morreram 214 mil pessoas: 140 mil na primeira cidade e 74 mil na segunda cidade. No país de Machado de Assis e Dolores Duran é provável que a cifra chegue a 500 mil mortos (Aparecida de Goiânia tem 590 mil habitantes) — segundo avaliação do cientista Miguel Nicolelis. Talvez morram mais pessoas, porque, cessada a pandemia, a tendência é que a Covid-19 se torne endêmica. E milhares de pessoas, mesmo depois de curadas, tendem a padecer de sequelas derivadas do novo coronavírus. Recentemente, depois de ter se tratado da Covid-19, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Anápolis Adhemar Santillo morreu de uma tromboembolia — no caso, uma complicação provocada pelo estrago feito em seu organismo pela doença.

Pode-se sugerir que bombas atômicas caíram em todo o Brasil — porque estão morrendo pessoas (velhos, jovens, crianças) de Norte a Sul, do Oiapoque ao Chuí. As bombas “transportam” o novo coronavírus, um ser minúsculo responsável por uma tragédia global (2.746.581 pessoas morreram em todo o mundo — número praticamente igual a toda a população do Estado de Sergipe).

A tragédia é universal. Nos Estados Unidos e na Alemanha morreram, respectivamente, 545.070 e 75.484 indivíduos.

Jair Bolsonaro, presidente, com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Luiz Lux, da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco | Foto: Reprodução

Mas há uma diferença. Desde a posse do presidente Joe Biden, que sucedeu ao intempestivo Donald Trump, os Estados Unidos estão ampliando a vacinação, de maneira acelerada, da população.

No Brasil, dado um presidente errático, sobretudo mal-informado e incapaz de processar as informações divulgadas pelos cientistas — daí confiar em sites fajutos e propagadores de fakenews —, a tragédia, no lugar de ceder, está em expansão. Primeiro, porque o governo de Jair Messias Bolsonaro deu escasso apoio aos governos estaduais e municipais — deixando-os à deriva com o abacaxi nas mãos. Segundo, não soube comprar as vacinas em tempo hábil, quando os laboratórios, como o da Pfizer, estavam oferecendo seus produtos ao mercado patropi.

Bolsonaro vai governar por mais 1 ano, 9 meses e 6 dias

Mas o que todos — sim, todos — devem entender é que Bolsonaro vai governar o Brasil por mais um ano, nove meses e seis dias. São quase dois anos. Portanto, se está disposto a mudar o eixo de suas ações — o que é mais importante do que sua retórica —, dando liberdade ao seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (que já convocou para auxiliá-lo um professor da USP que é contrário ao tratamento precoce, que, insistamos, não é tratamento nem precoce), não dá para desconsiderá-lo.

Luiz Fux, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro e  Rodrigo Pacheco | Foto: Reprodução

É uma questão de responsabilidade pública, com o objetivo de salvar vidas, apertar as mãos estendidas de Bolsonaro. Quem quiser salvar vidas, de verdade — e não fazer política eleitoreira na hora errada —, tem de estreitá-las. Todos os 27 governadores e os milhares de prefeitos estão na mesma situação — tanto faz se são do PT, do PSL, do Democratas, do PSDB ou do PC do B — e sabem que, neste momento, a vida é mais importante do que ideologias, eleições e questões pessoais.

No seu pronunciamento à nação e no encontro com governadores, deputados, senadores e representante do Supremo Tribunal Federal, nesta semana, Bolsonaro disse coisas que, a rigor, vinha desconsiderando. “A vida em primeiro lugar” (parecia que, antes, era “a morte em primeiro lugar”) e “vacinação em massa” são frases que entraram para o discurso do presidente. Dá para acreditar?

Ora, não há outra saída. É imperativo pressionar para que Bolsonaro — o dono da caneta que libera recursos e faz compras de vacinas e medicamentos — cumpra o que está dizendo agora. É vital que governadores, deputados e senadores sejam a correia de transmissão do que pensa a sociedade, pois estão e estarão fazendo a defesa da vida contra os mensageiros da morte. Quem não se envolver na nova corrente pró-vacinação, que agora inclui Bolsonaro e o ministro da Saúde, estará contra a vida, e não contra Bolsonaro e seu entourage. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, disse a coisa certa: “É preciso despolitizar a pandemia” e “desarmar os espíritos”. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, sublinhou que não poderá fazer parte do comitê, pois, como magistrado, poderá, eventualmente, ter de julgar alguma ação. Mas admitiu que vai trabalhar para evitar ou reduzir a judicialização de determinados problemas.

Reunião do presidente da República, governadores dos Estados e presidentes do Poder Legislativo: uma defesa da vida, acima das ideologias  | Foto: Reprodução

A criação de um comitê que inclui o governo federal, os governos estaduais e o Poder Legislativo é um avanço enorme. É um despertar da sociedade como nação. A união de todos pela vida.

Nenhum governador, muito menos o goiano, Ronaldo Caiado — político e cidadão de personalidade ímpar, preocupado com a vida, desde o início da pandemia —, esteve em Brasília para beijar a mão de Bolsonaro.

Ronaldo Caiado e os demais governadores estiveram lá como políticos e gestores responsáveis. Não estiveram na capital construída por Juscelino Kubitschek para fazer política, para agradar o presidente, e sim para cobrar que leve seu novo discurso à prática. Ou seja, que atue, da maneira mais rápida possível, pela vacinação em massa. Porque é a única maneira de reduzir as mortes e, igualmente importante, de contribuir para a economia do país voltar a crescer.

Em Brasília, Ronaldo Caiado, assim como os demais governadores, fez a defesa da ciência, mencionou que, sem a vacina aplicada de maneira ampla, o isolamento social ainda é o “meio” mais eficaz para reduzir a contaminação de mais pessoas (o goiano falou como representante dos governadores até por ser médico, especializado na França). Na verdade, ninguém se rendeu a ninguém. Nem os governadores beijaram a mão do presidente e nem o presidente beijou a mão dos governadores. O que se deu foi um ato de congraçamento pela vida. Sobretudo, fica evidente, para a sociedade, que o discurso dos governadores — que são quem realmente mantêm contato direto com os problemas das pessoas — venceu. O discurso de Bolsonaro foi, finalmente, derrotado. A vida começa a ganhar. Não é hora de perder tempo com picuinhas e piadinhas.

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