Empresários apontam falhas em apoio de Caiado à descentralização industrial em Goiás

Além disso, uma possível reformulação fiscal sugerida pelo candidato ao governo de Goiás é vista como desnecessária

Em entrevista à rádio Sagres 730 na manhã desta segunda-feira (20/8), o candidato a governador Ronaldo Caiado (DEM) defendeu uma reformulação fiscal com descentralização industrial em Goiás, “Você acha que tem lógica em concentrar as indústrias apenas no eixo de Goiânia, Anápolis, Itumbiara? Não”, disse, citando polos, como o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) e Aparecida de Goiânia.

Além disso, o senador foi questionado sobre seu plano de governo, em que consta afirmação de que “será necessária a reformulação da política de incentivos fiscais”. Caiado chegou a negar a proposta, mas se contradisse na própria explicação.

O Jornal Opção conversou com empresários sobre as declarações e Antônio de Sousa Almeida, do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de Goiás (Sigego), rebateu a afirmação do senador. “A política de incentivos fiscais já é descentralizada aqui”, afirmou.

Segundo Antônio, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás [Fieg] tem acompanhado de perto todas as apresentações do governo a empresas que queiram investido do Estado, e percebe que as propostas já são descentralizadas.

“Não tem nada centralizado. Tem os polos industriais, mas a escolha não é baseada nisso. Quem quiser investir em Formosa, por exemplo, não há nada que impeça”, apontou.

O empresário afirma, sobre a proposta de reformulação fiscal, que não vê nesse momento a possibilidade de uma reformulação com melhorias. “Desconheço a sugestão dele [Caiado], mas, para melhora, acredito que não seja possível, alcançamos uma política ótima. É possível que ele apresente algo bom, mas acho difícil”, declarou.

Representante do Sindicato das indústrias de Torrefação e Moagem de Café no Estado de Goiás (Sincafé), Jaques Jamil Silvério, reforçou a importância dos polos industriais atualmente. “Principalmente devido à carência de infraestruturas e falta de disponibilidade de mão de obra qualificada nos municípios para receber novos investimentos industriais”, explicou.

Segundo ele, ainda, para qualquer reformulação na política de incentivos fiscais, é fundamental que se ouça o sistema produtivo do Estado.

Wilson de Oliveira, 1º vice-presidente da Fieg e presidente da regional de Anápolis, negou-se a comentar as declarações, mas garantiu que a política de incentivo fiscal atual é muito importante para a indústria.

“Não sei o que está acontecendo [com relação à proposta de Caiado], mas sei que a política atual é acertada e foi aperfeiçoada ao longo do tempo. O Estado está crescendo”, disse.

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