Empreendimento comprou certificação do Corpo de Bombeiros por R$ 500 mil

Investigações do MP-GO indicam que só na Rua 44, 135 empreendimentos têm indícios de irregularidades de conformidade técnica

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira, 19, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), detalhou parte do esquema de corrupção mantido por oficiais do Corpo de Bombeiros em conluio com empresários. A investigação aponta que militares montaram esquema de venda de certificados de conformidade para estabelecimentos comercias de Goiânia.

Conforme descreveram os responsáveis pela investigação, os esquemas se iniciaram ainda em 2013, com participação ativa do alto comando militar. Entre os seis principais investigados estão dois coronéis, dois tenentes coronéis, um capitão e um subtenente.

O grupo teria atuado nos últimos seis anos oferecendo maior celeridade no processo de concessão de certificado de conformidade — documento que autoriza o funcionamento do estabelecimento — em troca de valores e ou outras moedas de troca, como viagens. Um dos casos investigados aponta um empreendimento comercial que teria pago R$ 500 mil pelo documento.

No início da coletiva, o procurador-Geral de Justiça, Aylton Vechi, destacou que o MP reconhece a importância do Corpo de Bombeiros: “Mas como instituição gerida por pessoas, por vezes há desvios e eles devem ser investigados”.

Região da 44

Apesar de apontar que os esquemas eram mantidos em diversos pontos da Grande Goiânia, a região da 44 ganhou protagonismo na investigação. Foi a partir de denúncias de lojistas do pólo comercial que os investigadores iniciaram os trabalhos em 2017.

Agora com a deflagração da Operação Desconformidade, o MP detalha que em análise do Conselho Regional de Engenharia de Goiás (Crea-GO) pelo menos 135 estabelecimentos da localidade apresentavam certificação com inconformidades.

Um militar do Corpo de Bombeiros ouvido pelos membros do MP declarou que parte do polo é “barril de pólvora”, acrescentando que até mesmo o acesso de bombeiros seria dificultada.

Com o apontamento, o MP diz que há previsão de novas perícias, mas não precisou em quantos e quais serão os estabelecimentos. “Pequenos e grandes estabelecimentos estão sujeitos à medidas de investigação”, pontuou Giuliano Lima, corregedor geral.

O coordenador do Centro de Inteligência do MP, Rodinei Silva, fez ressalvas sobre os possíveis riscos estruturais da 44 e disse que no momento se trata de um relato e que será investigado.

Presos

Cinco presos nesta terça-feira são empresários que serviam como ponte para os esquemas, o pedido de prisão foi justificado pelos investigadores para colaboração no processo. Já os seis militares investigados não foram presos por entendimento do MP de que a medida não seria necessária nesse momento da investigação.

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