Embaixador da Síria espera que o Brasil ajude na reconstrução do país

Mohamad Khafif vislumbra o estreitamento das relações entre as duas nações

Embaixador da Síria no Brasil, Mohamad Khafif | Foto: Marcelo Mariano/Jornal Opção

O embaixador da Síria no Brasil, Mohamad Khafif, é otimista no tocante à reconstrução do país que está em guerra desde 2011 e espera que haja ajuda brasileira neste processo.

Em entrevista ao Jornal Opção, o diplomata assegurou que a maioria do território sírio se encontra seguro, especialmente as duas principais cidades, Damasco e Aleppo. Para ele, a Síria está prestes a derrotar o terrorismo e, por isso, já se dispõe a iniciar este processo de reconstrução.

“O Brasil é um país amigo. Temos relações históricas e esperamos aprofundá-las cada vez mais”, disse Khafif, que destacou o papel fundamental da comunidade síria, por meio da qual ele acredita que a cooperação seja facilitada. “A distância não importa quando existe a amizade.”

O embaixador conta que a Síria será palco de três eventos relevantes nos próximos meses: uma conferência sobre atrações de investimentos, em julho, a Feira Internacional de Damasco, em agosto, e a Feira da Reconstrução, em setembro. Empresas brasileiras já foram convidadas a participar.

“O governo sírio tem se empenhado em organizar seminários que buscam debater esta questão da reconstrução do país”, afirmou. “Os terroristas destruíram muito de nossa infraestrutura, mas nosso povo já está pronto para recomeçar com a ajuda dos países aliados e amigos.”

Negociações
De acordo com Khafif, a Síria buscou, desde o início da guerra, priorizar o diálogo e evitar o derramamento de sangue. O diplomata relata que o exército sírio conseguiu libertar praticamente todas as áreas que antes eram controladas por terroristas e, atualmente. há negociações nas áreas rurais de Homs e Hama.

É em Astana, no Cazaquistão, que acontecem as principais conversas com vistas à solução do conflito sírio. Rússia e Irã representam os interesses da Síria, enquanto a Turquia fala em nome dos grupos da oposição, considerados terroristas por terem ligações com a al-Qaeda.

“O governo do presidente Bashar al-Assad está disposto a libertar cada palmo de terra das mãos dos terroristas, assim como de todos os países invasores que ocupam território na Síria, como os Estados Unidos, no nordeste, e Israel, no sul”, sublinha o embaixador.

Curdos
Outro país que, segundo Khafif, deve se retirar da Síria é a Turquia, que utiliza o argumento de estar combatendo supostos terroristas curdos, inimigos do governo turco. “Somos contra intervenção da Turquia nas questões internas da Síria.”

O embaixador argumenta que os curdos da Síria, antes de serem curdos, são sírios e possuem todos os direitos e deveres como qualquer outro cidadão. “O Estado sírio e o povo sírio não têm qualquer problema com os curdos. Eles fazem parte do parlamento e do governo”, ressalta.

Mas o diplomata alerta que alguns partidos que representam os curdos estariam sendo influenciados por Israel e pelos Estados Unidos a reivindicar parte do território sírio. “A Síria não aceita ser divida. Os pleitos dos curdos serão discutidos no âmbito constitucional. Quem se alia a outros países e começa a atuar contra os interesses da Síria está contrariando a lei”, frisa.

Palestra
Mohamad Khafif esteve presente em Goiânia neste sábado (19/5) para participar de uma palestra na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, promovida pelo Grupo de Amizade e Solidariedade Popular Brasileiro com a Síria e pela Federação de Mulheres de Goiás com o intuito de esclarecer o que acontece no país do Oriente Médio.

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