Embaixada brasileira na África do Sul cogita vôo de repatriação, relata turista goiano

Jornalista João Camargo Neto conta ao Jornal Opção a situação de brasileiros no país africano após a detecção da variante ômicron, da Covid-19

Na Cidade do Cabo, capital da África do Sul, há um mês para um intercâmbio de aprendizado a língua inglesa, o jornalista goiano João Camargo Neto conta que a Embaixada Brasileira na África do Sul enviou formulário aos brasileiros presentes no país para que um vôo de repatriação seja possibilitado. Em contato com diversos compatriotas, ele conta que grande parte dos brasileiros presentes no local se mostram “histéricos” pelo retorno ao país.

A possibilidade de um vôo de repatriação foi cogitada após o cancelamento de todos os vôos que saem da África do Sul para demais países, devido ao aparecimento de casos da nova variante da Covid-19, a B.1.1.529, ou como foi batizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a ômicron. A Anvisa chegou a fechar as fronteiras do Brasil para seis países e determinou que quem quiser entrar no país, tanto via terrestre quanto por voos internacionais, deverá apresentar o certificado de vacinação contra a Covid-19.

O contato da Embaixada aos brasileiros foi realizada através de um formulário onde foi possível coletar dados que mapeassem a condição dos brasileiros presentes no país. Entre as informações solicitadas, estiveram o tipo de apoio solicitado ao governo brasileiro, data de desembarque na África do Sul e se faz parte de um grupo de visitantes. A Embaixada, inclusive, chegou a publicar o formulário em suas redes sociais, com a intenção de ampliar seu alcance.

“A Embaixada em Pretória e o Consulado em Cape Town estão reunindo os dados de brasileiros nessas condições para avaliar possíveis medidas junto às autoridades sul-africanas e empresas aéreas que permitam o retorno de todos”, diz a Embaixada, em um tweet.

João, inclusive, faz parte de um grupo do aplicativo de mensagens WhatsApp formado por brasileiros, exclusivamente para esse fim, onde os mais de 50 participantes se organizam sobre quem deseja retornar ao país e compartilham informações entre si. Até o momento, cerca de 21 pessoas desse grupo, incluindo o jornalista, assinaram o formulário disponibilizado pela Embaixada. “Algumas pessoas foram presencialmente na embaixada pra conseguir novas informações”, relata o brasileiro.

Ele complementa, no entanto, que diversos amigos brasileiros intercambistas não possuem planos de voltar para o Brasil agora, devido ao prazo de finalização do intercâmbio. “Meu intercâmbio era só de um mês, então já está acabando. Mas outros estão fazendo de três, seis e até um ano, e não irão embora agora”, diz.

Natural de Itapuranga, João morou em Goiânia por mais de 20 anos. Hoje, nômade digital, alterna mensalmente entre a capital goiana e Lisboa. Os planos do jornalista era retornar ao Brasil no próximo dia 17, com a intenção de participar de um evento presencial. Mesmo que ainda não tivesse comprado a passagem, está ciente de que seus planos podem não se concretizar. Exatamente por isso, na última semana, ao receber a notícia da nova variante da Covid-19, logo contatou o consulado e a embaixada para receber informações do que seria feito.

“Logo na quinta-feira eu procurei no site e nas redes sociais do Consulado e da Embaixada Brasileira, mas não encontrei, então mandei e-mails, já que sou um brasileiro e posso precisar do auxílio do meu país”, explica. A resposta dos órgãos foi justamente o link do formulário. “Disseram estar tentando ajuda com o governo sul-africano e com as empresas áreas para verificar a possibilidade de um vôo de repatriação”, conta.

Ainda que não esteja tão confiante que o vôo de repatriação realmente vá ocorrer, ele assinou o formulário e garante que no primeiro vôo que for realizado após o fim de seu curso – que termina na próxima sexta-feira, 3 -, ele estará dentro. “Essa é uma situação muito insegura, já que não dá para saber quando os vôos serão retomados”, justifica.

O clima em Cape Town, a Cidade do Cabo, no entanto, não muito diferente do que prevalecia antes da detecção da variante ômicron. De acordo com João Camargo, o comércio funciona normalmente, com as mesmas restrições e protocolos que já vigoravam antes. “Os protocolos são os mesmos: máscaras, medição de temperatura e álcool”, conta. Ele explica que, lá, ao adentrar em um restaurante, os dados do cliente são coletados para que a pessoa seja contatada caso qualquer pessoa que tenha estado ao mesmo tempo no local seja contaminada com a doença.

Com a manutenção de cuidados, no entanto, João não se sente tão inseguro. “Quando eu soube da variante, contatei minha infectologista do Brasil. Como eu me vacinei com a Janssen nos Estados Unidos, em junho, e tive Covid-19 assintomática no Brasil em agosto, ela disse que meu risco era mínimo”, pontua. Apesar de ter se tranquilizado, o jornalista afirma fazer questão de se manter em contato com os familiares residentes no Brasil, para que todos se informem em tempo real de suas condições.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.