Em vídeo obtido por perícia, menino Bernardo é ameaçado pela madrasta e xingado pelo pai

Existência do vídeo foi informada pela delegada Caroline Bamberg, pouco antes da primeira audiência sobre o caso

*Colaborou Thiago Burigato
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Bernardo Boldrini, 11 anos, foi morto por injeção letal e teve o corpo enterrado perto de um rio | Foto: Reprodução

Minutos antes da primeira audiência referente ao caso do menino Bernardo, no Fórum de Três Passos (RS), nesta terça-feira (26/8), a delegada Caroline Bamberg informou à imprensa sobre a existência de um vídeo obtido durante perícia no celular de Leandro Boldrini, pai da vítima e um dos suspeitos do crime. A gravação, ainda mantida sobre sigilo pela Justiça, mostraria uma briga entre o garoto, o pai e a madrasta, Graciele Ugulini.

“O Bernardo pede socorro, grita. Reforça bem a acusação contra o Leandro”, declarou Caroline. “O vídeo é bem revelador, vocês vão ter acesso. Também mostra ameaças da Graciele ao Bernardo, inclusive de morte”, acrescentou. Conforme a delegada, o arquivo chegou a ser apagado do celular de Leandro, mas foi recuperado pela perícia.

Na gravação, Graciele chegou a dizer que Bernardo iria “para baixo da terra”. Enquanto isso, o pai do garoto o mandava ficar quieto. “Cala a boca, guri de merda, cagão”, dizia o médico.

Com início na manhã desta terça-feira, a audiência em Três Passos conta com reforço policial e é restrita à imprensa. Dos quatro réus, apenas Edelvania e Evandro Wirganovicz, amigos de Graciele, irão comparecer à sessão, uma vez que o pai e a madrasta da vítima pediram dispensa. Ao todo, 33 testemunhas serão ouvidas nesta etapa. Novas audiências ainda serão realizadas.

Caso

O garoto Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, no município gaúcho de Três Passos, na região Noroeste do Rio Grande do Sul. À época, o pai, o médico cirurgião Leandro Bol­drini, disse que o filho teria ido à tarde para a cidade de Frederico West­phalen com a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, para comprar uma TV.

No dia 14 de abril, entretanto, o corpo do menino foi encontrado na zona rural do município de Frederico West­phalen, enterrado às margens de um rio, em um saco plástico. Segundo a Polícia Civil gaúcha, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal.

As investigações da polícia levaram à constatação de que Leandro Boldrini e a mulher atuaram como mentores do crime e na ocultação do cadáver. Além de planejar uma história fictícia acerca do desaparecimento do garoto Bernardo para se livrar da acusação, o médico teria auxiliado na compra de Midazolam, um forte sedativo que se aplicado em grandes doses pode causar inconsciência. Graciele Ugulini teria atuado na ocultação do cadáver, juntamente com a amiga Edelvânia Wirganovicz e o irmão Evandro.

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