Em vídeo, Magda Mofatto faz declaração de teor golpista contra Lula: “Daqui uns dias vai mandar buscar vocês”
30 outubro 2026 às 14h47

COMPARTILHAR
A deputada federal eleita Magda Mofatto (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que se dirige ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandará buscá-lo, assim como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A declaração pode ser interpretada como uma manifestação de teor golpista, ao sugerir uma possível interferência estrangeira contra autoridades brasileiras.
“Calma, Lula, não precisa ficar nervoso. O Trump mandou buscar o Flávio Bolsonaro e daqui uns dias vai mandar buscar você e o Xandão também”, afirmou a parlamentar.

Na legenda da publicação, Magda escreveu: “Calma, Nine! Tá nervoso por quê? Sua hora também vai chegar”. A expressão “Nine” faz referência à deficiência física do presidente, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.
Procurada pelo Jornal Opção para comentar a declaração, Magda Mofatto afirmou apenas que não conversaria com a reportagem.
A parlamentar foi a quinta candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Goiás, com 131.983 votos. Apesar das manifestações relacionadas ao resultado da eleição presidencial, não foram identificadas, em suas redes sociais, publicações nas quais ela questionasse a validade dos votos que garantiram sua própria eleição.
Entre as publicações recentes de Magda está o compartilhamento de um vídeo do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, no qual ele agradece aos brasileiros pela votação recebida, anuncia que pretende pedir a cassação da chapa de Lula e afirma que não deixaria o Brasil. No entanto, no dia seguinte à publicação, foi confirmado que o senador havia viajado para os Estados Unidos.
Declaração contraria posicionamento do próprio PL
A manifestação de Magda Mofatto contrasta com a posição oficial do Partido Liberal (PL), que divulgou um manifesto reconhecendo a vitória de Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. O documento foi assinado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
O posicionamento também diverge das declarações de Flávio Bolsonaro, que questionou aspectos do processo eleitoral e anunciou medidas judiciais contra a chapa vencedora.
“Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno das eleições presidenciais, com uma vantagem de 2,2 milhões de votos. No segundo turno, porém, o resultado foi diferente, em um cenário marcado por medidas fortemente eleitoreiras, com impacto econômico e social. A ampliação expressiva dos gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação levanta questionamentos sobre os efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo, além de possíveis consequências econômicas para o país”, diz trecho da nota.
Em outra parte do documento, o PL destaca o desempenho eleitoral da legenda e reafirma que continuará acompanhando os questionamentos relacionados ao processo eleitoral, mas dentro dos limites institucionais.
“Ao mesmo tempo, o PL encerra estas eleições com uma representação histórica: uma bancada de 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores. É uma demonstração da força do partido e da confiança de milhões de brasileiros nas ideias que defendemos. Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”, afirma o documento.
A nota acrescenta que o partido continuará acompanhando os acontecimentos com responsabilidade, transparência e respeito às instituições, além de reafirmar seu compromisso com a democracia e a liberdade.
Outras lideranças ligadas à direita, como Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também reconheceram a vitória de Lula.
O próprio Valdemar Costa Neto criticou a decisão de Flávio Bolsonaro de viajar para os Estados Unidos após a derrota eleitoral. Antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, o dirigente afirmou que não concordava com a atitude do correligionário.
“Não gostei”, declarou Valdemar. “Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos”, acrescentou.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil também provocou divergências entre integrantes da direita. Embora algumas lideranças tenham manifestado apoio público ao senador, há relatos de movimentações internas no PL para reduzir o desgaste político provocado pela decisão.
Nesse cenário, a publicação de Magda Mofatto evidencia as diferenças de posicionamento dentro da própria legenda. Enquanto a direção nacional reconhece formalmente o resultado proclamado pelo TSE, a deputada eleita recorre a uma declaração que sugere uma intervenção de Donald Trump contra o presidente reeleito e um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Leia também: “Os atos da filiação dela estão todos regulares”, diz presidente do MDB sobre Carol do Amiltinho


