Em vídeo, comerciante confessa que mãe dele assassinou cozinheira; veja

Motivo da desavença, segundo a polícia, teria sido o fato da vítima vender mais pamonhas do que os suspeitos. William Moraes foi preso em Quirinópolis 

Amanda Damasceno e Marcello Dantas

O comerciante William Divino da Silva Moraes, de 28 anos, disse em depoimento informal nesta quinta-feira (2/4) a policiais do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer) que a mãe dele, Sueide Gonçalves da Silva, 56, disparou os tiros que mataram a cozinheira Marizete de Fátima Machado, 53, no último domingo (29/3).

Em vídeo, o rapaz afirmou que a vítima foi atingida com três disparos. Ainda segundo ele, a gasolina que estava em sua caminhonete foi usada para atear fogo na mulher. Marizete teve 40% do corpo queimado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na tarde de terça-feira (31). A cozinheira ficou internada por dois dias no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Segundo o capitão André Ribeiro Nunes, William estava na casa da sogra nesta manhã, em Quirinópolis, a 293 quilômetros de Goiânia. O detido foi apresentado no 7º DP, no Setor Jardim América. A mãe dele, foi presa horas depois do crime e se encontra no 14º Distrito Policial.

William teria fugido em uma caminhonete S-10, cor prata, abandonada em Corumbá, a 108 quilômetros de Goiânia. O veículo foi apreendido e está no pátio do distrito. Já a arma usada no crime foi jogada no Rio Meia Ponte, na capital, mas ainda não foi encontrada pela polícia.

Prisão

De acordo com o capitão do Graer, o suspeito foi encontrado graças a denúncias da população. Ele teria fugido para uma fazenda em Corumbá no dia do crime e passou uma noite nesse local. Depois, abandonou a caminhonete em um posto de combustível, pegou um táxi até Goiânia e da capital pegou outro táxi para Quirinópolis, onde foi preso.

A chegada de William no DP foi bastante tumultuada. Várias pessoas esperaram o momento em que os policiais do Graer trariam o suspeito para a delegacia. Ao chegar no local, William escutou vários gritos de “assassino”, e respondeu que não tinha matado ninguém.

Ao ser apresentado, o suspeito negou que ele e a mãe tenham cometido o crime e afirmou que no vídeo que tinha sido divulgado falou o que passou na cabeça no momento, mas que não era verdade.

O delegado do 7º DP e responsável pela investigação, Manoel Borges, alegou que todas as evidências apontam que os autores do crime foram, realmente, William e Sueide. Para o delegado, a perícia que vai ser realizada na caminhonete que supostamente foi usada pelos criminosos deve comprovar que Marizete esteve no carro.

Borges informou ainda que com a morte da cozinheira, a tipificação do crime mudou e os suspeitos devem responder por sequestro, tortura – já que enquanto estava em poder dos criminosos, a vítima ouviu diversas vezes que iria morrer, configurando tortura psicológica – e homicídio triplamente qualificado: praticado com crueldade, sem dar chance de defesa e por motivo banal.

O caso

A cozinheira Marizete deixava a pamonharia onde trabalhava, no Jardim América, com destino à sua residência, na Nova Suíça, quando foi rendida por William e Sueide, na noite do último domingo.

Mãe e filho forçaram a vítima a entrar na caminhonete utilizando uma arma, de calibre desconhecido. Segundo a polícia, os suspeitos levaram a mulher para um matagal em Abadia de Goiás, onde sofreu tentativa de homicídio.

Três tiros foram disparados e um acertou a cabeça dela. A dupla ateou fogo no corpo de Marizete que, com o corpo queimado, andou cerca de dois quilômetros e pediu ajuda. Douglas Vinícius Machado de Abreu, filho da cozinheira, ouviu da mãe, ainda viva, detalhes sobre o crime.

A barbaridade do caso e a motivação da morte, apurada até então pelos investigadores, surpreendeu a polícia. William e Sueide teriam tirado a vida da cozinheira porque a pamonha feita por ela era mais vendida que a deles, em um estabelecimento vizinho ao de Marizete.

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