Em Uruaçu, mina d’água potável jorra desde 1940

Em tempos de crise no fornecimento do recurso hídrico em todo o Brasil, cidade do interior goiano tem fonte potável do líquido. Moradores buscam solução para a questão

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Em meio à crise hídrica causada pela estiagem no País e o iminente risco de racionamento de água e de energia elétrica a cidade de Uruaçu, Região Norte do Estado, registra um fato curioso. Há décadas uma bica d’água potável mina na Avenida Goiás, no Centro, próxima à agência dos Correios.

A biquinha, como chamam os moradores, é protagonista de antigas histórias. “Já lavei muitas vasilhas nessa nascente, quando tudo era mato. A água nascia tão natural, minha história começa aí”, relata a funcionária pública Suely Francisco da Silva, em uma rede social.

Hoje morador de Campinorte, município vizinho, Sebastião Eloi Santos afirma que morou ao lado da fonte ainda na década de 1990. “Essa água já corria e poderia, sim, ser aproveitada. Em época de escassez, isso aí é ouro”, relata.

O vazamento natural causa polêmica pela quantidade de água desperdiçada. Com isso, borbulham tentativas — nenhuma ainda executada — para tornar a fonte sustentável. Uns querem apresentar projetos para que a Câmara de Vereadores e a prefeitura façam alguma intervenção.

Uma apaixonada, inclusive, oferece ajuda financeira. Outros sugerem a criação de um espaço de lazer e ponto de encontro para dirimir o calor, típico de uma das regiões mais quentes do solo goiano.

“Que tal fazer um chafariz, onde, inclusive os transeuntes, poderiam aplacar sua sede e aonde os citadinos, na escassez da água da Saneago, poderiam recorrer? O certo é que do jeito que está não pode ficar”, sugere o desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) Itaney Francisco Campos, filho de Uruaçu.

Há relatos de que ela não jorrava mais nada na última seca, ao passo que outros dizem que os paulistas ficariam arrepiados se vissem a cena.

O poeta e advogado Mariano Peres, em seu “Biquinha da Rua Goiás”, conta que a bica data da primeira metade do século XX, “antes ainda dos anos quarenta”. O então prefeito Tineco teve a brilhante ideia de ter água potável jorrando em um chafariz.

“Nos dias de calor
Muitos lavradores que vinham à cidade
Ali lavavam os pés e calçavam suas botinas
Que traziam numa capanga.
A biquinha era o refrigério dos acalorados.
Pessoas daqui da rua,
Quando ali passavam
Lavavam as mãos molhavam o rosto
Desfrutando o frescor daquela água.”

E a discussão permanece: a vontade de solucionar a questão continua flutuante, e a água, fluindo.

Basta, não só esperar, mas estimular o poder público a buscar alternativas ao problema.

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Ítalo Campos

Quando, meu Deus, o poder publico, a Sra. Prefeita e vereadores, vão ouvir o clamor da população?