Em protesto contra mudança de gestão do HC, manifestantes cercam reitor da UFG e conseguem adiamento de decisão

Mesmo com previsão de nova reunião do Conselho Universitário para a próxima semana, expectativa é que transferência seja de fato viabilizada

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Em novo encontro do Conselho Universitário da Universidade Federal de Goiás (UFG), nesta sexta-feira (5/12), a transferência da gestão do Hospital das Clínicas (HC) para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) foi novamente colocada em pauta e aprovada por ampla maioria. Após a decisão, o reitor Orlando Amaral foi cercado por alunos, professores e funcionários técnico-administrativos que protestavam contra a medida. Houve início de tumulto e, como resultado, o reitor se comprometeu a conclamar nova reunião do conselho para tratar do assunto.

No final da tarde desta sexta-feira, o reitor Orlando Amaral contou ao Jornal Opção Online como ocorreu a abordagem pelos manifestantes. “Eu fui cercado e fui impedido de entrar no prédio da reitoria, fiquei ao relento, na chuva, e, depois de mais de meia hora, decidimos marcar uma nova reunião para a próxima quarta-feira”, explicou. A expectativa, todavia, é que o resultado se mantenha.

A transferência de gestão do HC tem sido questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores técnico-administrativos em Educação de Goiás (SINT-IFESgo), que alega falta de diálogo por parte da UFG, além de prejuízos à comunidade acadêmica, caso a EBSERH seja a nova gestora do centro hospitalar.

Em entrevista recente ao Jornal Opção Online, a coordenadora geral do sindicato Fátima dos Reis alegou que os pontos do acordo não estão claros, o que poderia resultar em prejuízos sem precedentes à comunidade universitária. “Eles dimensionaram um total de 1.674 vagas para o hospital, sendo que temos hoje um quadro total de 2.159 vagas”, contou à reportagem.

Já Orlando Amaral alega que a mudança de gestão é a melhor saída para o HC frente à crise financeira que a unidade enfrenta. Segundo ele, atualmente, o hospital conta com cerca de 500 funcionários terceirizados, custeados pela universidade. Caso o contrato com a EBSERH seja viabilizado, o reitor explica que a empresa irá realizar concurso para contratar 580 novos funcionários, que serão pagos pela própria empresa, e não mais pela UFG.”Com isso, teremos muito mais verba para investir lá”, conta.

O reitor também defende que, diferentemente do que apregoam os contrários à medida, não haverá perda de autonomia da UFG, nem os estudantes da unidade serão prejudicados. “O HC é uma hospital escola e vai continuar sendo. Ele é fundamentalmente um hospital escola. A nova proposta conta com um organograma de ensino e pesquisa que, hoje, não existe”, afirmou.

Orlando Amaral também fez questão de pontuar que a EBSERH é uma empresa com direito privado, mas pública; a exemplo do que ocorre com os Correios e a Embrapa. Com isso, segundo ele, os recursos  serão advindos integralmente do Tesouro Nacional e o atendimento do hospital permanecerá exclusivo do Sistema Uníco de Saúde (SUS), afastando os rumores de “privatização”.

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Sara Gugel

É Orlando Amaral!! E esqueceram de comentar sobre a posição da comunidade acadêmica, não existe uma universidade sem alunos, se há alguém que vocês tem que entrevistar somos nós alunos! Jornalismo imparcial que expõe a opinião de todas as partes.