Em meio ao protagonismo das redes sociais, propagandas partidárias retornam no Rádio e TV

O jornal Opção procurou cientistas políticos para explicar a importância deste período de pré-campanha e como os 23 partidos que têm acesso devem utilizar às inserções no rádio e na televisão 

Dayrel Godinho
Rafaela Ferreira

A propaganda partidária começou no sábado, 26, com inserções dos 23 partidos que cumpriram a cláusula de barreira. Eles terão inserções diárias até o dia 30 de junho, enquanto dez siglas não terão acesso ao tempo, porque não cumpriram os requisitos. Neste período, todas as siglas terão, por meio da propaganda partidária gratuita, um período para apresentar pré-candidatos à presidência, lideranças partidárias e, principalmente, a linha ideológica de uma determinada sigla.  

O jornal Opção procurou três cientistas políticos para explicar a importância da propaganda partidária e da propaganda eleitoral nas televisões e rádios. Segundo eles, o meio se tornou, recentemente, complementar às redes sociais, mas ainda assim fazem com que tanto o partido, quanto o político chegue ao eleitor por meio das campanhas de rádio e TV. A propaganda eleitoral, no entanto, acontecerá somente no último mês de campanha eleitoral.  

Mas por que a propaganda na televisão ainda é levada em conta mesmo em meio à ascensão das redes sociais? Uma das respostas, de acordo com a cientista política Ludmilla Rosa, tanto para a propaganda partidária, quanto para a propaganda eleitoral, é de que a televisão é o meio que tem o maior alcance ao brasileiro e, por mais que a audiência caia, quem quiser assistir terá a oportunidade de conhecer um candidato A, ou B, ou as ideias de cada sigla que estará posta no campo eleitoral.  

“O tempo de TV é complementar às redes sociais, porque muitas pessoas se informam pelas redes sociais que tendem a chegar nestas pessoas de acordo com a sua segmentação. As redes sociais dão esse alcance às pessoas, mas não há um grande interesse pelas publicações impulsionadas e o eleitor já está resistente às inundações de conteúdos patrocinados”, explica a especialista.  

É o que também acredita o cientista político Pedro Araújo, que avalia que a TV e o Rádio ganharam uma dimensão menor nos últimos tempos por causa da ascensão dos meios digitais, seja pelas redes sociais, seja pelo YouTube ou qualquer outro canal que o político tem acesso hoje, mas os primeiros dias têm um acompanhamento maior do que no final da campanha eleitoral.  

“Sabendo disso, alguns partidos que estão se preparando vão apostando naquelas inserções, naquelas pílulas, que cada partido voltou a ter a partir deste sábado, para fazer com que estes pré-candidatos à presidência sejam mais conhecidos dos eleitores percebam que os próprios partidos têm”, comenta o especialista.  

Divisão e fundo partidário em 2026 

Sem coligações proporcionais desde 2020, após a aprovação da última grande reforma eleitoral, os partidos terão que cumprir as cláusulas de barreira para continuar tendo acesso, tanto às propagandas de rádio e tv, quanto aos recursos do fundo partidário.  Isso acontece porque a divisão no país é feita de acordo com a distribuição das 513 cadeiras do Congresso Nacional e são divididas entre as siglas. 30% igualmente, e o restante de acordo com cada clausula que a sigla cumpriu.  

São os casos de Democratas (se tornou União Brasil), MDB, PDT, PL, PP, PSB, PSD, PSDB PT, Republicanos e o PSL (que também se tornou União Brasil). Estas siglas terão acesso à 20 minutos e 40 inserções. PCdoB, Podemos, PSOL, PTB e Solidariedade terão acesso à 10 minutos, e 20 inserções. Avante, Novo, Patriotas, Cidadania, Pros, PSC e PV terão acesso à 5 minutos e 10 inserções.  DC, PCB, PCO, PMB, PMN, PRTB, PSTU, PTC, Rede Sustentabilidade de UP não terão acesso a propaganda partidária gratuita e também não terão acesso à propaganda eleitoral.   

A divisão, de acordo com o cientista político Guilherme Carvalho é democrática. Cumpre a representatividade de cada sigla na União, por meio das cadeiras conseguidas por cada uma delas, independente da fórmula usada, se são as raízes da sigla, ou a estratégia eleitoral usada pelos dirigentes, que terão o fim das coligações partidárias e terão que caminhar sozinhos, ou aderir à uma federação partidária por quatro anos para montar novamente as suas respectivas campanhas.  

“O sistema premia aqueles que saem bem nas eleições, quem conseguem se consolidar, seja por suas raízes, ou por sua estratégia eleitoral. Cada partido terá o seu tempo de TV, a federação não vai modificar a lógica da distribuição e os líderes partidários são quem farão as distribuições destes tempos de TV e do Fundo Partidário normalmente”, explica.  

Carvalho ainda reitera que a função das federações é outra, justamente a de criar um bloqueio à cláusula de barreira imposta que acabaria com algumas siglas que, federadas, terão acesso ao tempo de TV e ao Fundo Partidário, porque o que contará é a bancada, não apenas uma sigla sozinha.  

É por estes motivos que cada sigla já está pensando na sua própria montagem de chapa e de adesão ou não a uma federação. Para continuar tendo acesso aos benefícios públicos que são mediados pela União e também para que continuem tendo acesso à competitividade eleitoral, com novas candidaturas, aparição em televisão e rádio e também ao fundo partidário.  

“A preocupação é aumentar o número de cadeiras na Câmara Federal, porque quanto mais deputados, maiores são os acessos aos benefícios públicos por partido. Cada partido é responsável por si, por isso é preciso de mais candidatos e pessoas que tenham mais acesso aos recursos eleitorais”, complementa Ludmilla Rosa.  

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