Em meio à pandemia, escolas particulares amargam incertezas

Instituições alegam sofrer pressão para reduzir drasticamente suas mensalidades, o que pode leva-los à falência

Foto: Reprodução

Com as aulas presenciais suspensas desde o dia 16 de março, por conta da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), as escolas particulares de Goiânia amargam a incerteza de conseguirem superar esta crise sem precedentes.

Matrículas canceladas, contas acumuladas, dificuldades de implementação do EAD, principalmente para o ensino infantil, são alguns dos inúmeros problemas enfrentados pelos proprietários das unidades de ensino, que esperam uma luz no fim do túnel para não fecharem as portas definitivamente.

As dificuldades estão em todos os setores e em todos os lugares, afinal vivemos uma pandemia, no entanto, é notório que as escolas estão sendo de sobremaneira afetadas, pois nem todos os pais (também afetados pela atual crise) conseguem ou querem manter os filhos matriculados.

Enquanto isso, professores, colaboradores e profissionais de toda a cadeia também temem a finalização de contratos, pois, apesar de muitas escolas terem feito acordos para a suspensão dos vínculos, a continuidade das atividades pós-pandemia segue incerta.

Soma-se a esse cenário a imprevisibilidade sobre quando as aulas poderão ser retomadas de forma segura. Algumas previsões apontam que o calendário escolar só será retomado em agosto, outros são mais otimistas, mas a verdade é que não sabemos quando isso ocorrerá.

Em busca de diálogo

Por meio de nota, instituições particulares de ensino básico e infantil da capital relataram as principais dificuldades e demandas do setor. Os proprietários e diretores afirma buscar o diálogo no sentido de sensibilizar o poder público sobre medidas a serem tomadas para facilitar, amparar e minimizar os transtornos e perdas no sistema educacional particular.

“As instituições de ensino básico vêm sendo amplamente pressionadas por diversos órgãos a reduzir drasticamente suas mensalidades, de forma que coloca em risco a saúde financeira destas instituições, fazendo, inclusive, que o receio de uma possível falência venha acometer os gestores educacionais”, alega o grupo.

Eles alegam ainda que os sindicatos e conselhos não ouviram as demandas específicas das unidades particulares, debruçando-se de forma intensa na solução dos problemas do ensino público, com isso tornou-se necessário que eles assumissem esse papel e buscassem voz.

“Nossos professores tiveram que abandonar o afetivo contato com nossos alunos, e aprenderem como é o mundo educacional à distância, sem lapso temporal que possibilitasse qualquer preparação, tendo que se reinventarem, aprendendo dia após dia”, diz outro trecho da nota.

Segundo os donos dos estabelecimentos de ensino, a escola é a única instituição que está adentrando em todas as casas, com o intuito de apoiar a família neste momento tão delicado, cumprindo sim com sua obrigação contratual, e mesmo assim, é o ramo mais prejudicado, atacado e incompreendido pela sociedade.

O que pode ser feito

Em um documento direcionado à imprensa, os proprietários de escola alegam que é preciso que os órgãos competentes repensem suas determinações e aprovem maiores flexibilizações no calendário letivo do ano de 2020, indo ao encontro com a MP 934/2020, ou que sejam aprovados os projetos individuais que foram e que serão apresentados junto aos respectivos conselhos de educação.

“Deve ser tomada ainda, por parte dos representantes classistas, medidas necessárias para garantir que seja possível a materialização da flexibilização das alternativas viáveis para melhor atender os alunos, famílias, e todos os colaboradores envolvidos no sistema de ensino. Sempre prezando pela saúde das pessoas envolvidas, pelos bons costumes, pelas boas práticas e acima de tudo, pela boa-fé”, diz o documento.

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