Reajuste chega a 24,9% e pode impactar cadeia de produção nacional; para economista, conflito ainda deve provocar uma série de danos diretos aos consumidores brasileiros

Depois de quase 60 dias sem reajuste, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira, 10, alta de 18,8% para a gasolina e 24,9% para o diesel. Com o reajuste, o preço médio de venda do litro da gasolina sobe de R$ 3,25 para 3,28, enquanto o diesel passa de R$ 3,61 para 4,51. Ao Jornal Opção, a economista Greice Guerra explica que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia ainda deve provocar uma série de danos diretos aos consumidores brasileiros.

O aumento corre em meio ao crescente valor do barril de petróleo no mundo, ligado à guerra na Ucrânia. A Petrobras esclareceu que os valores refletem uma parcela dos reajustes já percebidos no mercado internacional, mas que ainda ainda não está passando, de imediato, todos os efeitos da volatilidade de preço do produto.

“Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promova ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”, anunciou a estatal em comunicado.

O GLP também sofreu reajuste e passa de R$ 3,86 para R$ 4,48 por kg, equivalente a R$ 58,21 por 13kg, ou passando de 16,1% de aumento. Diferente dos combustíveis sem reajuste há 57 dias, o GLP já não sofria alterações no valor há 152 dias.

Durante a tarde dessa quarta, 9, o barril de petróleo Brent subia 7,55%, negociado a US$ 132,51, enquanto que o WTI tinha alta de 8,18%, a US$ 129,17 o barril. Atualmente, a Rússia é o maior exportador de óleo e gás natural do mundo.

Efeitos no Brasil

Para a economista e analista de mercado Greice Guerra, os efeitos do conflito militar ainda devem provocar uma série de danos diretos para consumidores brasileiros por algum tempo. De acordo com a especialista, mesmo num cenário otimista, as sequelas de um conflito tão grandioso não somem tão rapidamente.

“Vamos dizer que a guerra esteja próximo fim, ainda assim os efeitos no mercado global iriam seguir a tendência de elevação de commodities como petróleo, grãos, paládio e níquel, por exemplo”, destaca. “Até a OTAN ter certeza da estabilidade do conflito, acredito que os efeitos sejam duradouros até o fim do ano.”

No Brasil, além do já sentido aumento nos combustíveis, outros efeitos colaterais podem surgir a partir daí. Com o reajuste, crescem custos de frete e transporte, elevando também o valor de insumos para produção de bens, refletindo no bolso do consumidor. “Todos nós vamos absorver essa elevação de preços, elevação da taxa Selic e, com isso, a retratação do consumo e da atividade econômica”, explica.

Ainda segundo a analista, é natural que o conflito deixe sequelas, que serão mais intensas caso a tensão seja mais duradoura. A previsão otimista de um possível próximo fim da guerra, por exemplo, contraria os resultados de encontro de ministros realizado nesta quinta. Em reunião realizada nesta quinta, os ministros de Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e Rússia, Sergei Lavrov, apontaram que não houve progresso para um cessar-fogo entre os dois países.