Em live, autoridades defendem uso de dados para tomada de decisão nos Municípios

Debate entre gestores de Aparecida de Goiânia e pesquisadores apresentou estudo que prevê uso entre 795 e 861 leitos de enfermaria por dia e entre 326 e 365 leitos de UTI/ dia a partir de 31 de julho

Prefeito Gustavo Mendanha (MDB) | Foto: Eduardo Pinheiro / Jornal Opção

Projeções realizadas por estudo elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) mostram que, mantidas as atuais taxas de isolamento social, a taxa de ocupação de leitos de enfermaria e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) será preocupante. Pesquisadores defendem isolamento em torno de 50,5%, a taxa atual no município é de 35,5%.

Os pesquisadores Cristiana Toscano e Thiago Rangel apresentaram, durante live realizada na tarde desta terça-feira, 16, com mediação do prefeito Gustavo Mendanha (MDB), a projeção que mostra que uso entre 795 e 861 leitos de enfermaria por dia e entre 326 e 365 leitos de UTI/ dia para o dia 31 de julho deste ano.

A projeção ainda prevê em torno de 600 mortes acumuladas causadas por Covid-19 no município da Região Metropolitana para o final de julho. Para o estado de Goiás, o número de óbitos, também acumulados, chegará a 5 mil.

“Todos as projeções mostram a necessidade de isolamento social em torno dos 50%. Nosso modelo foi construído em cima de base empírica”, diz Cristiane.

Escalonamento

Aparecida de Goiânia, a partir de decreto do prefeito Gustavo Mendanha pratica o chamado escalonamento. O modelo praticado estabeleceu dez regiões que intercalam o funcionamento, inclusive de atividades consideradas essenciais, como supermercados. A intenção é que haja aumento do isolamento social para em torno daqueles 50% preconizados pelos estudos.

Cristiane, no entanto, salientou que viu modelo parecido apenas para locais que estão em curva descendente da pandemia, que por enquanto não é o caso de Aparecida.

O secretário municipal de saúde, Alessandro Magalhães, por outro lado diz que o caso de Aparecida é diferente de Goiânia, com taxas de internação baixas, já que utiliza do modelo de testagem precoce, que permite monitoramento anterior a necessidade de internação por casos graves.

“Temos quase 60 dias de flexibilização desde que o decreto estadual expirou. Nossas taxas de ocupação de leitos, desde então, estão estáveis. A minha análise é que hoje acertamos no momento de liberação. Pode ser que para frente a gente possa rever, mas isso depende da curva. E estamos acompanhando de perto”, ressaltou o secretário.

O prefeito Gustavo Mendanha salientou que mantém o acompanhamento dos casos, com testes e monitoramento. Além disso, estabeleceu relação direta com o Hospital Sírio Libanês que garante troca de informações. “Temos balizado nossas ações em estudos e confiamos na ciência. Sou um defensor do isolamento com o escalonamento”, apontou o prefeito durante a live.

Parceira

O gerente de consultoria do Hospital Sírio Libanês, Rafael Saad, destacou a importância do uso de dados para tomada de decisão na gestão pública. Produzir informação para fazer gestão todo mundo consegue, mas fazer uso efetivo para aplicar em políticas públicas efetivas é algo que o Brasil ainda engatinha.

“As atividades são de capacitação para servidores são teóricos. O grande sucesso foi incorporar o conhecimento e capacitar o servidor de maneira efetiva, que perdura muito mais tempo. Um segundo trabalho feito foi por gestão de resultados junto à Secretaria Municipal de Saúde e conseguimos um pacote robusto de informações e criação de uma cultura. Trabalhar orientado com informações é muito efetivo. A terceira iniciativa foi a oferta da telemedicina para orientar o tratamento de Covid-19 na cidade”.

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