Em julgamento, serial killer fala em “amor a Deus” e revolta família de vítima

Parentes de Lilian Sissi, assassinada em 2014, dizem que discurso “não convence”. Tiago Henrique já foi condenado por 11 homicídios em Goiânia

Família de Lilian Sissi assiste a julgamento de Tiago Henrique Gomes da Rocha, acusado de homicídio | Foto: Hernany César – Centro de Comunicação Social)

Família de Lilian Sissi assiste a julgamento de Tiago Henrique Gomes da Rocha, acusado de homicídio | Foto: Hernany César – Centro de Comunicação Social)

“Quero dizer apenas duas coisas: Aprendi que devo amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo a como a mim mesmo. Eu não quero mais machucar ninguém. Quero apenas amar e servir ao Senhor nosso Deus e me submeto à Justiça.” Com essas palavras, o ex-vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, mais conhecido como o “serial killer de Goiânia”, encerrou seu pronunciamento durante julgamento que enfrenta nesta sexta-feira (12/8) pela morte de Lilian Sissi Mesquita e Silva, em fevereiro de 2014.

A família da vítima, que era dona de casa e foi assassinada enquanto caminhava em direção à escola dos filhos para buscá-los, ficou revoltada com a declaração do réu e se manifestou no tribunal do julgamento.

Um dos mais emocionados era o padrasto de Lilian, Erinaldo de Sousa, que se aproximou do acusado e apontou para a foto da enteada, estampada na camiseta que vestia. “Essa aqui é a pessoa que você matou! Você acabou com uma família e agora vem querer se fazer de bonzinho”, desabafou.

O momento de tensão só teve fim quando o juiz Eduardo Pio Mascarenhas interrompeu o protesto para restabelecer a ordem durante o julgamento. “Eu entendo que é um momento muito difícil para a família, mas não posso permitir qualquer manifestação deste tipo. Peço que fiquem em silêncio ou, se não for possível, que se retirem”, afirmou.

Aos jornalistas, o padrasto se disse frustrado em não poder expressar sua revolta com as declarações de Tiago Henrique. “Ele acabou com a nossa família. A Lilian deixou dois filhos, hoje com 9 e 12 anos. Já tem mais de dois anos que sofremos todos os dias com isso e não podemos nos manifestar hora nenhuma. Eu estou fazendo esse protesto, mas estão aqui comigo a mãe, a irmã, a avó, o primo, toda a família que também sofre muito.”

Rosana Mesquita, mãe da vítima, também fez um desabafo emocionado: “Uma pessoa que assassinou várias outras pessoas vem aqui e fala em Deus? Não me convence. Para mim ele é um monstro. Sinto muita revolta porque são mais de dois anos de sofrimento. Minha filha estava indo buscar os filhos na escola e, naquele dia, eles ficaram até 19 horas da noite a esperando, mas ela já estava morta. Talvez a justiça do homem seja falha, mas eu acredito na justiça de Deus.”

Ainda durante o depoimento, Tiago Henrique confessou o crime, mas preferiu não dar detalhes. “Me arrependo de verdade. No momento estava completamente sem controle. Não sei explicar. Até em respeito à família, não vou dar detalhes do caso.  Só queria dizer que não sou aquilo que a mídia mostra”, disse,

Tiago Henrique Gomes da Rocha foi pronunciado por homicídio, com as qualificadoras de motivo torpe e emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O crime ocorreu no dia 3 de fevereiro de 2014, por volta das 16h45, na esquina das Ruas Formosa e Buriti Alegre, na Cidade Jardim.

No dia em que foi assassinada, Lilian Sissi andava sozinha em direção à escola dos seus filhos, para buscá-los. Ao vê-la, segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Tiago Henrique se aproximou, parou sua motocicleta, desceu e a abordou. Em seguida, apontou o revólver para ela, e sem dar condições para que esboçasse qualquer reação, atirou no peito dela. Em seguida, o vigilante fugiu na motocicleta.

A defesa de Tiago Henrique é realizada pela advogada Ludmilla de Mendonça, da defensoria pública, que pede que seja reconhecida sua semi-imputabilidade, por reconhecer que o vigilante, diagnosticado com psicopatia, apesar de ter consciência dos atos que cometeu, não seria capaz de ter controle de suas ações. A acusação é sustentada pelo promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargo, do Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Este é o 12º júri de Tiago Henrique, que teve início na manhã desta sexta-feira (12) e segue até o início desta tarde. O ex-vigilante já foi a condenado a 265 anos e 10 meses de prisão por 11 homicídios, dois assaltos a mesma agência lotérica e posse ilegal de arma de fogo. O vigilante vai a júri popular em outros 22 processos. Contra ele ainda tramita ação por furto de arma de fogo, na 3ª Vara Criminal de Goiânia.

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