Em grupo de risco, idosos são alvo de rede de proteção da sociedade

A rede de proteção a idosos tem ganhado membros que visam evitar a proliferação e a morte de pessoas do grupo de risco pelo novo coronavírus

Pessoas idosas são enquadradas no grupo de risco do coronavírus / Foto: Reprodução

Desde o final de dezembro do ano passado, quando as primeiras pessoas infectadas pelo novo coronavírus foram registradas, milhares de mortes foram contabilizadas, essencialmente de idosos – enquadrados no grupo de risco. Até a tarde deste domingo, 22, mais de 14.500 mortes no mundo todo haviam sido confirmadas pela Covid-19, doença provocada pelo vírus. Ciente da gravidade da situação, pessoas mais jovens têm se mobilizado para ajudar e proteger pessoas de mais idade e mais suscetíveis à enfermidade.

A rede de proteção a idosos tem ganhado membros que, com a ajuda disponibilizada, visam evitar a proliferação e a morte de pessoas do grupo de risco pelo novo coronavírus. Jaieni e Larissa são algumas dessas pessoas. Moradora de Goiânia, Jaieni, ciente do perigo que o novo coronavírus representa para pessoas acima de 60 anos e com doenças crônicas, decidiu fazer a sua parte. Ao lado da filho de 16 anos, Larissa, Jaieni imprimiu bilhetinhos com seu telefone e os distribuiu de porta em porta em seu prédio, localizado no Setor Bueno.

No bilhete, Jaieni e filha se disponibilizam a cumprir pequenos compromissos que demandem a saída de pessoas idosas do prédio, como fazer compras ou pagar alguma conta, por exemplo. Ela conta que viu uma caso semelhante na internet, e resolveu seguir o exemplo. “Aqui no prédio eu sei que tem muitos idosos que moram sozinhos, só que eu não sabia identificar em quais apartamentos. Então eu tive essa ideia do bilhetinho. Fiz, pedi para o meu marido imprimir e coloquei embaixo da porta de cada apartamento”, relata.

A benfeitora conta o caso de uma idosa que a procurou após a distribuição dos bilhetes, o que a fez perceber a importância da iniciativa. “Ela ligou para agradecer [pela atitude], e perguntou se a gente podia comprar enroladinho de queijo para ela. Aí nós fomos, buscamos o valor e ela pediu para gente pagar uma continha na lotérica também. Ela ficou bem feliz e agradecida”, conta Jaieni.

Filha de Jaieni, Larissa é uma grande entusiasta da ação voluntária, e corre para atender o telefone toda vez que ele toca, na esperança de ser algum idoso precisando da ajuda.

Apesar do impacto da boa ação na vida do próximo, Jaieni considera que não é algo tão grande, mas sim uma obrigação moral. “Eu não acho que seja uma coisa assim muito extraordinária. Eu acho que nesse momento, nessa situação difícil que a gente está passando, se a gente fizer um pouquinho pelo bem comum, o mundo fica melhor”, completa.

Abrigo de idoso tomou medidas de blindagem contra o coronavírus

Iniciativas de prevenção contra o coronavírus nesta época de pandemia devem partir de todos e de todas as direções, e no Abrigo dos Idosos São Vicente de Paulo, na Vila Americano do Brasil, em Goiânia, eles estão fazendo a sua parte.

Segundo a fisioterapeuta Ana Karolina Aires, que atua no abrigo, diversas ações já foram tomadas para proteger os idosos que vivem no abrigo contra o coronavírus. Segundo ela, desde a semana passada foi imposta a restrição da presença da comunidade no abrigo, como meio de isolar os moradores do “mundo externo”.

Todas as atividades da comunidade dentro da instituição foram suspensas, assim como a visitação dos familiares dos idosos, que são poucas. “No sábado e domingo a gente teve duas pessoas que foram visitar os idosos, que são de famílias, filho e uma irmã, que sempre vão lá para visitar só duas pessoas, mas a partir desta segunda-feira, nós já restringimos totalmente o contato”, disse.

Ana Karolina enfatiza que o abrigo não registrou, até agora, nenhum caso suspeito, mas que os cuidadores seguem atentos. “Se passou mal se está com alguma suspeita, então eles serão encaminhado para o hospital que fica ali mesmo próximo”, informou. A fisioterapeuta menciona, ainda, a existência de uma clínica de fisioterapia no interior do abrigo que, devido às restrições implantadas, teve que ter as atividades suspensas. “A clínica atende pacientes do SUS, mas nós suspendemos [as atividades]. Encaminhei um ofício para a Secretaria Municipal, porque a clínica fica dentro do abrigo, então estaria colocando em risco a vida dos idosos”.

Devido ao risco de contágio do coronavírus, um programa de educação continuada tem sido executado no abrigo de idosos. Tem sido cobrado constantemente, segundo Ana Karolina, o ato de higienizar as mãos, utensílios domésticos, as mesas, cadeiras, camas, e demais objetos de uso coletivo.

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