Em Goiás, postulantes ao Senado vêem possibilidade de candidaturas isoladas com otimismo

Possíveis candidatos a cadeira no Senado por Goiás encaram possível decisão como natural e democrática; matéria que permite candidatura isolada ainda deve passar pelo plenário do TSE

O relatório técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que permite que partidos lancem candidatos isolados na disputa ao Senado ainda precisa passar pelo plenário da Corte para ser aprovado, mas já agrada os pré-candidatos em Goiás. Caso seja validado no Tribunal, o relatório oferece respaldo jurídico a candidaturas independentes de chapa majoritária e coligação ao governo.

Responsável pela consulta, o deputado federal Waldir Soares (UB) acredita que a decisão ultrapassa seu projeto pessoal e dá segurança jurídica para todo o processo democrático. “Isso não é para me tranquilizar, é para permitir que outros nomes sejam candidatos. Não é legal ter uma candidatura polarizada, restringir candidaturas é muito ruim para a democracia”, pontua.

O deputado também defende que decisão pode favorecer o governador Ronaldo Caiado (UB) que, em meio a decisões de formação de uma chapa majoritária, fica livre para nomear um candidato sem precisar excluir outros da disputa. “Se por acaso o governador sofresse qualquer constrangimento pra impor uma candidatura, estou dando uma ferramenta pra que ele possa proporcionar a vários partidos ter essa oportunidade, como já aconteceu no Pará”, relembra.

Em 2014, a coligação do então governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), apostou numa resolução emitida pelo TSE, em 2010, para lançar quatro candidatos a Senador. Na ocasião, a estratégia não elegeu nenhum deles, mas o deputado Waldir não acredita que isso deva indicar algo para o cenário em Goiás. “O que pode comparar é só a questão jurídica da permissividade de cada partido ter um candidato, mas a parte política não se compara. Se deu errado lá foi por questões de política local”, defende. Especialistas ouvidos pelo Jornal Opção acreditam que um alto volume de candidatos pode fragilizar as candidaturas.

O parlamentar também pontua uma confusão que tem ocorrido até mesmo entre o próprio meio político, ao apontar as candidaturas independentes como avulsas. Conforme a lei, candidatura avulsa é aquela que ocorre pela desassociação de partidos políticos, ou seja, candidatos sem nenhuma filiação. Essas, no entanto, são proibidas no Brasil.

Em nota, o senador Luiz do Carmo (PSC) declarou ver com naturalidade a possibilidade da liberação. “Na minha opinião, já deveria ser assim. A chapa majoritária tem vaga para um único candidato, mas todos que acreditarem que devem lutar pela cadeira deveriam ter espaço. No final, quem escolhe é a população”. Sobre se lançar candidato dentro da chapa do governo ou de forma isolada, o senador ainda deixa em aberto. “O que posso dizer é que pertenço a um grupo e que todas as decisões são tomadas em grupo. Mas posso deixar claro que sou pré-candidato ao Senado, a forma como se dará a candidatura será decidida no futuro”, explica.

O pré-candidato Zacharias Calil (UB) também é outro que vê como positiva a possibilidade da candidatura isolada, apesar de dizer que ainda irá aguardar a decisão da chapa de Caiado. “Pela conversa que tive com o governador, isso só vai ser decidido na convenção de 5 agosto, segundo ele, às 23h59. Até lá, não estou em campanha, mas estou confiante”, pontua. Calil afirma que, nos bastidores, teria ouvido de fontes com pesquisas espontâneas em mãos que seu nome estaria presente em todo o Estado como forte na disputa, próximo a do companheiro de partido, Waldir Soares. Diante disso, confiante que a atual formação do TSE seguirá pela mesma decisão já observada em consultas anteriores, ele garante que o projeto da candidatura segue, mesmo que precise ocorrer de forma isolada.

Além desses, a chapa de Caiado também ainda conta com os nomes de Alexandre Baldy (PP) e João Campos (PSC), mas ambos não retornaram o contato da reportagem. Recentemente, o presidente estadual do PSD, Vilmar Rocha, confirmou rumores sobre o lançamento do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira, ao cargo, após a desistência de Henrique Meirelles.

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