Depois que Michel Temer (PMDB) limitou o uso dos aviões da FAB pela presidente afastada, campanha arrecada fundos para que Dilma continue viagens pelo país

Presidente afastada bateu meta em tempo recorde e já acumula R$580 mil | Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília
Presidente afastada bateu meta em tempo recorde e já acumula R$580 mil | Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Na última quarta-feira (29/6) foi lançado uma campanha de crowdfunding para arrecadar dinheiro para que Dilma Rousseff (PT) possa continuar suas viagens pelo País. Em menos de três dias, a “vaquinha” pela internet já atingiu a meta estabelecida para um mês e arrecadou R$500 mil até a noite da última sexta-feira (1/7). Na manhã deste sábado (2/7), a petista já tinha R$580 mil em caixa, um recorde de arrecadação do site de crowdfunding Catarse.

A iniciativa surgiu depois que o presidente interino, Michel Temer (PMDB), limitou o uso de aviões da Força Aérea Brasileira por Dilma apenas para deslocamentos de Brasília a Porto Alegre (RS), onde mora a família da presidenta afastada. Esta semana, no entanto, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul autorizou Dilma a usar as aeronaves da FAB em viagens pelo país, desde que os custos sejam ressarcidos por ela ou pelo PT.

Desde que foi aberto o processo do impeachment no Senado Federal, quando Dilma Rousseff (PT) foi afastada do cargo de presidente da República, ela tem viajado pelo País no que chama de Jornada Pela Democracia, visitando várias cidades e denunciando o que chama de golpe.

Mesmo já tendo atingido a meta estabelecida, a campanha continua através da plataforma de crowdfunding Catarse e aceita doações apenas de pessoas físicas residentes no Brasil. De acordo com o site, 13% serão repassados para a própria plataforma, 4% para pagamento de impostos e o restante do valor arrecadado (83%) será usado para pagamento de despesas com deslocamento da presidente afastada Dilma Rousseff. A prestação de contas será apresentada, periodicamente, no site www.dilma.com.br.

Idealizada por Guiomar Silva Lopes e Maria Celeste Martins, contrárias ao impeachment, a vaquinha virtual foi batizada de Jornada pela Democracia – Todos por Dilma. No vídeo de apresentação da campanha, Celeste conta que conheceu Dilma em 1969, na clandestinidade. Já Guiomar conhece Dilma desde 1970, quando foi presa e torturada pelo regime militar. “Conheço a Dilma de longa data. É uma das pessoas mais íntegras que eu conheço. A luta que ela vem desenvolvendo na retomada do seu mandato merece todo apoio que se possa dar”, diz Celeste.

“As medidas coercitivas em relação à presidenta Dilma são absurdas, ilegais. Como é que um governo como esse tira qualquer direito, inclusive de mobilidade, da presidenta? A gente está aqui para compor e reforçar as atitudes e lutas no sentido de repor o governo legítimo da presidenta Dilma”, acrescenta Guiomar. A assessoria de Dilma disse que “saúda” a iniciativa das amigas da presidente afastada.

A plataforma Catarse esclarece que o financiamento coletivo não é permitido pela legislação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exige que doações eleitorais sejam feitas diretamente em contas bancárias específicas do candidato ou partido, abertas e registradas oficialmente para operar os recursos financeiros movimentados para fins de campanha eleitoral. A lei permite doações feitas através de site do candidato, inclusive com uso de cartão de crédito, desde que haja identificação do doador, emissão de recibo para cada doação realizada.

O TSE proíbe o financiamento coletivo de candidaturas a eleições em plataformas não especializadas para tal e que detenham os mecanismos específicos propostos pelo TSE para essa atividade. O projeto “Jornada pela Democracia”, porém, é classificado como é uma manifestação da sociedade civil em prol de uma figura política e não caracteriza apoio direto a nenhum tipo de candidatura.