Em depoimento à PF, Calero afirma que Temer o pressionou no caso Geddel

Presidente teria pedido uma saída para a obra de interesse de Geddel; segundo ex-ministro da Cultura Temer afirmou que processo deveria ser encaminhado à AGU

Ex-ministro se disse "decepcionado" com presidente | Fotos: Reprodução / Facebook / MinC

Ex-ministro se disse “decepcionado” com presidente | Fotos: Reprodução / Facebook / MinC

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), o “enquadrou” para que ele encontrasse uma “saída” para a obra de interesse do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. De acordo com Calero, Geddel queria uma intervenção junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a liberação de construção de um edifício em uma área tombada.

Na última semana, Calero pediu demissão do cargo e afirmou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que o fazia justamente pela pressão de Geddel. O ministro admitiu ter conversado com o ex-dirigente da pasta de Cultura sobre a obra, mas negou tê-lo pressionado. Ele disse estar preocupado com a criação e manutenção de empregos.

De acordo com a transcrição do depoimento à PF — enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República — Calero teria sido convocado por Temer ao Palácio do Planalto no último dia 17. “Que nesta reunião o presidente disse ao depoente que a decisão do Iphan havia criado ‘dificuldades operacionais’ em seu gabinete, posto que o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado; que então o presidente disse ao depoente que construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU [Advocacia-Geral da União] porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução”, afirmou o ex-ministro.

Calero afirmou, ainda, que Temer encarava com normalidade a pressão que Geddel fazia. “o presidente disse […] ‘que a política tinha dessas coisas'”. Ele disse ainda que se decepcionou com o presidente e que a única saída foi apresentar seu pedido de demissão.

La Vue

Em decisão desta quarta-feira (23/11), a juíza substituta da 19ª Vara Federal de Salvador, Roberta Dias Nascimento, determinou a paralisação das obras do edifício La Vue, centro da polêmica. Ela determinou, também, a suspensão da comercialização das unidades do imóvel.

A ação solicita a condenação da Porto Ladeira da Barra Empreendimento e da Cosbat Construção, além de exigir a paralisação das obras do La Vue, até que seja feita uma adequação do projeto arquitetônico, um estudo de Impacto de Vizinhança e a uma adequação à declaração de nulidade das autorizações concedidas pelo Iphan e pela Secretaria Municipal de Urbanismo de Salvador (Sucom).

O ministro Geddel é proprietário de um dos 24 apartamentos de alto luxo do edifício.

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