Em depoimento à CPI da Covid, Pazuello teria mentido ao menos quatro vezes

Confira as declarações contraditórias do ex-ministro da Saúde nesta quarta-feira, 19

Eduardo Pazuello | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Em testemunho à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta quarta-feira, 19, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teria mentido ao menos quatro vezes, conforme apurado pela Folha de São Paulo. Primeiro, o general afirmou que não recebeu ordem direta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à compra da Coronavac. “Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada”, afirmou ao relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL).

No entanto, em vídeo divulgado pelo próprio presidente, Bolsonaro afirma que mandou cancelar o acordo de intenção de compra da vacina, após o Ministério da Saúde (MS) ter anunciado que iria adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. Após a fala do presidente a apoiadores, a pasta voltou atrás na negociação. Na CPI, Pazuello respondeu: “Uma postagem na internet não é uma ordem. Uma ordem é uma ordem direta verbal ou por escrito”, disse.

Ainda, o ex-ministro afirmou que não se reuniu com representantes da Pfizer para negociar porque “ministro não pode receber as empresas”. Entretanto, houve reuniões entre ele e o empresário Carlos Wizard, defensor da vacina privada. Pazuello também se reuniu com empresários, em maio de 2020, para discutir a compra de equipamentos para o combate ao coronavírus.

O general também afirmou que órgãos de controle, incluindo o TCU, CGU e AGU, recomendaram a não assinatura da proposta com a Pfizer. “Mandamos para os órgãos de controle, a resposta foi: não assessoramos positivamente. Não deve ser assinado”, contou. No entanto, o TCU negou a fala e disse que “em nenhum momento seus ministros se posicionaram de forma contrária à contratação da empresa Pfizer para o fornecimento de vacinas contra Covid e tampouco o tribunal desaconselhou a imediata contratação em razão de eventuais clausulas contratuais”.

Sobre a falta de oxigênios em Manaus, Pazuello contou que só foi informado no dia 10 de janeiro. No entanto, no dia 18 de janeiro ele havia dito ter sido informado em 8 de janeiro, uma semana antes do dia mais grave de mortes por asfixia em leitos no estado. O ex-ministro ainda negou informações de Fabio Wajngarten e do gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, sobre as ofertas de vacinas. O ex-ministro disse que a carta com a oferta não ficou parada por dois meses e que as negociações ocorreram a todo momento e que há documentos que comprovem.

Ainda disse que o Ministério da Saúde sugeriu alterar a legislação para superar os obstáculos em cláusulas de alguns laboratórios, mas outros órgãos do governo recusaram. “Fizemos proposta de Medida Provisória, mas ali na parte jurídica do governo não houve consenso. Decidiram que a [iniciativa] não deveria partir de uma MP nossa. Não havia consenso dos ministérios em mantê-lo e isso foi retirado”, disse. Em fevereiro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), sugeriu o projeto de lei que autorizou o governo a assumir as clausulas e, assim que foi aprovado, o contrato com a Pfizer foi assinado.

Apesar das contradições, o relator Renan Calheiros descartou pedir a prisão de Pazuello e afirmou que as mentiras estarão inclusas no relatório da CPI.

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