Em depoimento à CPI da Covid, Ernesto Araújo atribui má gerência da crise sanitária ao Ministério da Saúde

Ex-chanceler, ainda, negou crise com a China e disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só cogitou compra de doses da Pfizer em fevereiro deste ano

Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo depõe na CPI da Covid (Edilson Rodrigues/Agência Senado/Flickr)

Em depoimento por mais de sete horas na CPI da Covid, o ex-ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, responsabilizou o Ministério da Saúde (MS) pela mobilização da compra de cloroquina e pela baixa aquisição de doses contra a Covid-19 pelo consórcio Covax Facility. No depoimento, também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só cogitou a negociação de vacinas da Pfizer em fevereiro ou março deste ano e negou ranhuras na relação do Brasil com a China.

O ex-chanceler atribuiu a culpa a Eduardo Pazuello ao afirmar que a decisão de pedir imunizantes para apenas 10% da população, junto ao consórcio internacional de vacinas, foi da pasta comandada à época pelo ex-general. “Araújo transferiu o ônus dos equívocos todos ao MS. Esse ‘Ministério da Doença’ existia em contraposição ao MS, que despachava com o presidente”, avaliou o relator Renan Calheiros (MDB-AL).

O ex-ministro, ainda, afirmou que mobilização para a compra de cloroquina foi iniciativa da pasta gerida durante a maior parte da pandemia por Pazuello. “No caso, o Ministério da Saúde foi quem nos pediu que procurasse viabilizar essa importação”, contou ao relatar a corrida pelo medicamento desaconselhado por sociedades médicas.

O sétimo depoente da comissão ainda afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não cogitou a compra de vacinas da Pfizer nas reuniões ministeriais das quais participou. “Com exceção em março ou fim de fevereiro onde se decidiu que o presidente faria contato com o presidente da Pfizer para obtenção da vacina”, relatou.

Relação com a China

Para Araújo a relação ruim com a China são interpretações internas “equivocadas”. Ele negou ter realizado ataques ao país. “Não vejo nenhuma declaração que eu tenha feito como ‘antichinesa’. Em notas oficiais, nos queixamos do comportamento da Embaixada da China, mas não houve nenhuma declaração que se possa classificar como antichinesa”, disse. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), confrontou o ex-chanceler. “Na minha análise pessoal, vossa excelência está faltando com a verdade. Então, eu peço que não faça isso. Não faça isso”, alertou.

“Chegar aqui agora e desmerecer o que vossa excelência já praticou e dizer aqui, nesta CPI, para todos os senadores que o senhor nunca se indispôs em relação à China, aí vossa excelência está faltando com a verdade”, endureceu o presidente do colegiado.

Na fala da senadora Kátia Abreu (PP-TO), que durou mais de 20 minutos, a parlamentar afirmou que Ernesto tem “duas personalidade”, que seria a das redes sociais e a moderada, que falou à comissão. Ao fim de seu discurso, a senadora ainda afirmou que Ernesto colocou o Brasil na condição de pária e de irrelevância. “O senhor no Ministério das Relações Exteriores foi uma bússola que nos direcionou para o caos, que nos levou ao iceberg, ao naufrágio”, declarou.

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