Em delação, servidora da Agetul denuncia Alexandre Magalhães e três vereadores

Segundo uma das funcionárias presas na Operação Multigrana, presidente desviava valores da bilheteria e distribuía materiais para parlamentares do partido

Para parlamentares do PSDC, servidora quer atacar o partido para se defender  | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção; Alberto Maia; e Reprodução Facebook

O vereador Jorge Kajuru (PRP) denunciou, nesta quinta-feira (22/6), que o esquema de desvio de dinheiro na Agência Municipal de Turismo (Agetul) chegou à atual gestão e envolve três de seus colegas de Casa. Na tribuna, ele relatou algumas das declarações dadas por Larissa Carneiro, uma funcionária da Agetul que foi presa na Operação Multigrana, aos promotores Ramiro Martins e Gabriella Clementino.

Segundo ela, o atual presidente da Agetul, Alexandre Magalhães, a orientava a adulterar os valores das planilhas de arrecadação, contabilizando menos bilhetes que os efetivamente vendidos. No depoimento, ela diz que o procedimento foi feito em todas as contagens de ingressos desde que Alexandre assumiu.

De acordo com a funcionária, o caixa 2 pode ser verificado nas planilhas deste ano, que registravam R$ 16 mil de arrecadação bruta, R$ 53 mil de gastos reais e R$ 106 mil de arrecadação líquida. Abaixo, o valor de R$ 104 mil foi o efetivamente depositado. O dinheiro desviado seria usado para pagar passagens e combustível para Alexandre.

Larissa afirmou que levava os borderôs já conferidos à Alexandre, que dizia qual o valor que devia constar nos registros. Depois, ela era orientada a guardar os bilhetes em um local fora da Agetul. Na semana seguinte, afirma ela, os borderôs eram descartados no triturados do Mutirama.

Sobre os vereadores, a funcionária alegou que eles pediram materiais por ofício e os valores foram anotados em contabilidade paralela com rúbrica de “bola”, “rede” etc. Ela relatou ainda ter sido orientada a pagar, em uma determinada ocasião, R$ 500 a Kleybe Morais.

Outro lado

O Jornal Opção ouviu os vereadores citados e todos eles negaram irregularidades. Anderson Salles (PSDC) disse que sequer mandou ofícios para a Agetul e Jair Diamantino (PSDC) e Kleybe Morais (PSDC) confirmaram pedidos, mas disseram que foram para solicitar benefícios para a comunidade, como material esportivo e ingressos para crianças de escolas carentes.

Para os três, o depoimento da funcionária é, na verdade, uma tentativa de atingir Alexandre. “Eu não a conheço e ela demonstra que é uma pessoa que está desesperada. A gente tem que ver com qual político ela é envolvida. Eu acredito que é uma forma de tentar mudar o foco das investigações”, disse Jair.

“Não tenho nada a temer e se fosse pegar um centavo com ela, não pegaria mixaria, o que adianta eu, um empresário, pegar R$ 500 de uma pessoa dessas? Jamais. Tem ofício meu de várias coisas, pedindo campo de futebol, camisa, cama elástica, bola, para levar alunos lá, igrejas. Eu tenho certeza que é uma tentativa de ataque ao Alexandre. Não é da minha índole nem da dele.”

Também confirmando ter feito solicitações de materiais ao parque, o vereador Kleybe disse que, para ele, o depoimento é uma estratégia para atacar o partido. “Não tenho nenhuma dúvida, virou questão política. Como tem muitos políticos envolvidos, acredito que seja retaliação, não só da última gestão como de gestão anteriores”, acusou ele.

“Pelo que me consta até agora, Alexandre é um cara trabalhador, honesto, de família tradicional, com uma reputação muito grande para zelar”, defendeu o vereador. Anderson Salles concordou: “Ela alega que materiais foram repassados aos vereadores. Nem ofício lá na Agetul eu enviei, como eu vou pegar material? Cadê o ofício? Ela deve estar querendo atacar o presidente usando a bancada do partido.”

O Jornal Opção também entrou em contato com Alexandre Magalhães, mas não conseguiu resposta até o fechamento da matéria.

Não procedem

Jorge Kajuru na tribuna | Foto: Alberto Maia

O vereador Jorge Kajuru (PRP), que apresentou o depoimento da servidora ao Ministério Público na Câmara, fez questão de reiterar ao Jornal Opção o que já havia dito na tribuna: não acredita nas denúncias contra os vereadores, mas pede investigação contra o presidente da Agetul, Alexandre Magalhães.

“As afirmações contra os colegas Kleybe Morais, Jair Diamantino e Anderson Sales são vazias e mentirosas, tenho certeza. Inclusive, essa Larissa [Carneiro] deveria voltar para a cadeia só pelo que falou. Entretanto, o Ministério Público deve apurar com rigor o depoimento contra o presidente da Agetul”, arrematou.

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anco marcio neri

essa Larissa ta e desesperada, já se sabe que foi o presidente que deflagrou toda a máfia da gestão anterior