Em conferência internacional, Marconi lança desafio de sobretaxar combustíveis fósseis

Marconi diz que o Brasil deveria ser protagonista nessa política, até para atender os compromissos feitos na COP 21

Para Marconi, criar incentivos fiscais estimulou a cadeia produtiva de álcool, açúcar e biodiesel, fazendo de Goiás o 2.º produtor nacional | Foto: Eduardo Ferreira

Para Marconi, criar incentivos fiscais estimulou a cadeia produtiva de álcool, açúcar e biodiesel, fazendo de Goiás o 2.º produtor nacional | Foto: Eduardo Ferreira

Na manhã desta segunda-feira (17/10), o governador Marconi Perillo (PSDB) lançou a proposta da taxação dos combustíveis fósseis, por agressão ao meio ambiente e danos à saúde humana. Marconi participava da 16.ª Conferência Internacional Datrago sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo e, ao lado do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), ministrou palestra no painel Etanol e Desenvolvimento Econômico.

A Conferência Internacional Datrago reúne produtores de açúcar, etanol e biodiesel dos cinco continentes, com a participação de autoridades públicas, fundos de investimento, empresas de logística, distribuidores e fornecedores de insumos. O governador foi saudado pelo presidente da Datrago, Plínio Nastari, para quem o setor vê com bons olhos o desafio lançado por Marconi para que a OMS feche o cerco em relação à chamada “energia suja”.

O governador disse que fará gestões como agente político para que a Organização Municipal de Saúde (OMS) desenvolva uma política, nos caso dos combustíveis poluentes, semelhante ao que desenvolve hoje em relação ao tabaco. Ele assinalou que o setor sucroenergético resistiu, nos últimos quinze anos, às políticas públicas “equivocadas” do governo federal, e é hoje um dos segmentos que mais crescem no País.

Marconi citou a experiência goiana de criar incentivos fiscais específicos para estimular a cadeia produtiva de álcool, açúcar e biodiesel no Estado, fundamental para que assumisse o posto de segundo produtor nacional de etanol e açúcar. Apesar da seca deste ano, reflexo das mudanças climáticas, o governador disse que Goiás deverá ter uma safra apenas um pouco abaixo de 7 milhões de toneladas de cana de açúcar.

Na conferência, o chefe do Executivo estadual argumentou que o etanol traz desenvolvimento. “O IDH dos municípios produtores de cana cresceu 65% entre 1970 e 2010, enquanto o IDH dos municípios sem produção agrícola representativa cresceu apenas 57%”, disse, reafirmando que Goiás tem “forte compromisso” com a energia renovável e também tem hoje uma das matrizes energéticas “mais limpas do País”, com produção de etanol, biomassa e biodiesel.

O governador também enfatizou que de 2000 até hoje, o Brasil desembolsou mais de 156 bilhões de dólares em importação de petróleo. Só com a gasolina e o óleo diesel, os gastos com a importação, segundo ele, foram de 70 bilhões de dólares nesse período. Marconi disse também que o Brasil assumiu o compromisso, na Carta de Paris, de reduzir as emissões de poluentes em 43% até 2030, mas o País gastou 70 bilhões de dólares importando combustível que aquece o planeta e libera enormes quantidades de material particulado. “Gastamos 70 bilhões de dólares para piorar a temperatura e o ar que respiramos”, observou.

Na exposição, afirmou que o uso do petróleo tem financiado atividades terroristas. “Estimativa da ONU é que o Estado Islâmico tenha faturado 1,6 milhão dólares por dia com a venda de petróleo. Também lembrou que o Papa Francisco, em encíclica de 2015, instou o mundo a investir mais em energia limpa, com a participação de organismos multilaterais. “No último sábado, quase 200 países assumiram o compromisso de banir o uso do hidrofluorcarbonetos, até 2018”, ponderou.

No encerramento da palestra, Marconi disse que como governador, político e cidadão não consegue entender porque até hoje a OMS não recomendou a taxação dos combustíveis fósseis pelo mal que fazem à saúde e ao meio ambiente. “O Brasil deveria ser protagonista nessa política, até para atender os compromissos feitos na COP 21”, arrematou.

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