Em cenário intermediário apontado por estudo, Goiás pode ter seis mil mortos pela Covid-19 até final de setembro

Thiago Rangel, pesquisador do grupo que estuda Covid-19 no Estado, afirma que estamos em cenário intermediário apontado por estudo e que com atrasos de informações, é difícil saber se realmente chegamos ao platô

Enterros: mortes por Covid-19 | Foto: Reprodução

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), Thiago Rangel, as projeções publicadas na nota técnica nº 7 pelo grupo de modelagem da expansão espaço-temporal da Covid-19 permanecem corretas. Nessa avaliação, foi medido que, dentro do pior cenário possível, cerca de 18 mil pessoas se tornariam vítimas fatais da infecção causada pelo coronavírus no Estado.

Thiago Rangel, professor e pesquisador da UFG |
Foto: TV Serra Dourada

Mas ele esclarece que o pior cenário não é a atual realidade que vivemos. “Ele não está se concretizando, não estamos naquela trajetória. Estamos em uma trajetória intermediária. Fica em torno de quatro a seis mil óbitos no final de setembro”, informou. Essa medição também estava prevista no estudo, que expôs diversos tipos de cenários.

“A mídia raivosa e politizada tem escrito matérias em pseudojornais online que as projeções estão muito erradas. As projeções permanecem. Aquele cenário que prevê 18 mil mortes no final de setembro era o caso extremo”, disse.

Chegamos mesmo ao platô?

Ele também explicou que, ao contrário das afirmações de que Goiás já estaria em seu platô, segundo declarações públicas do governo estadual e municipal, o atraso de dados das secretarias municipais impedem saber em qual ponto da pandemia estamos. “Atraso de dados impede saber se estamos no pico”, falou. “O dado da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) é como olhar no retrovisor. É dirigir olhando para trás”.

Professor José Alexandre Felizola Diniz Filho | Foto: Ana Clara Diniz
Professor José Alexandre Felizola Diniz Filho |
Foto: Ana Clara Diniz

O pesquisador do mesmo grupo da UFG, José Alexandre Felizola Diniz Filho também acredita ser difícil avaliar em “tempo real” o momento em que estamos. “Terminamos olhando sempre para o passado. Por exemplo, hoje no portal da SES-GO temos 1924 óbitos confirmados, mas de fato certamente temos um número maior. A dificuldade é saber “quantos” a mais e isso é que vai dizer se estamos aproximando ou não do pico (ou ‘platô’)”, afirmou.

Um exemplo dado pelo professor é de que no dia 16 de julho, o boletim da SES-GO apontava 986 óbitos pela Covid-19. “Só que se olharmos hoje para trás e vermos quantas pessoas realmente morreram até essa data, são 1306”, contou.

Um outro problema do platô avaliado por José Alexandre é a falsa sensação que ele traz de ser o fim das contaminações. “Eu fico com a impressão que as pessoas acham que chegar no pico significa que acabou. Isso não é verdade. Na verdade o pico é o “meio” do caminho, na melhor das hipóteses”, apontou.

“A pandemia não vai acelerar mais, mas ela vai continuar crescendo (por exemplo, o total de mortes). Vai se chegar a um numero máximo de mortes por dia e ai o número por dia vai começar a diminuir”, explica.

“Além disso, se as pessoas relaxarem, a pandemia começa a crescer de novo. É o que está acontecendo em vários lugares do mundo. No Brasil não está muito claro exatamente porquê está alto ainda”, disse.

Subnotificação

O professor ainda deixa claro que atraso de informações não é o mesmo que subnotificação. “É uma coisa um pouquinho diferente. É quando se “perde” mesmo a informação”, falou.

“Por exemplo, ‘porque não foi possível confirmar’, ‘os testes foram inconclusivos’ etc. Nesse caso que estou falando [de saber se estamos no pico ou platô] é atraso (normal) de confirmação, que pode demorar mais ou menos. Aqui varia muito inclusive entre as cidades”, reforça.


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