Em áudios vazados, MEC diz que prioridade nas verbas é para pastor de Aparecida de Goiânia

Segundo o ministro da Educação, Milton Ribeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu que seja dado prioridade “aos amigos do pastor Gilmar”

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, em um áudio vazado pela Folha de S.Paulo, diz que a prioridade da pasta é “atender municípios que mais precisam e aos amigos do pastor Gilmar”, como pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Gilmar dos Santos, uma das principais lideranças da igreja Assembleia de Deus, é pastor em Aparecida de Goiânia e comanda o Ministério Cristo Para Todos. Apesar do pastor não ter cargo no Ministério da Educação (MEC), suas intermediações podem garantir liberação de verbas para construção de escolas ou quadras esportivas.

Pastor Gilmar, de 61 anos, nasceu em São Luís (MA) e é casado com a pastora Raimundinha. Segundo seu popular perfil nas redes sociais, com mais de 150 mil seguidores, está há 40 anos pregando o Evangelho. Formado em teologia e doutor em divindade, o pastor já pregou na Ásia, Europa, África e América do Norte. Além disso, dirige o Instituto Teológico Cristo para Todos (ITCT) e preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (Conimadb). O nome de Gilmar dos Santos aparece como sócio de cinco empresas na Receita Federal, entre elas, a Editora Cristo Para Todos. Apesar de já ter tido uma programação religiosa em um canal de televisão em Goiás, o pastor investe agora em um canal virtual para transmissão de conteúdos da sua igreja.

Um dos principais aliados de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, cobrou uma postura mais incisiva do ministro Ribeiro. “Não basta ser honesto, é preciso provar que é honesto”. Ele pontua ainda “o ministro tem obrigação de prestar contas para a sociedade com a máxima transparência, senão coloca todos os pastores no mesmo saco de denúncias. Não queremos ter brecha de corrupção”.

Em nota à imprensa, o ministro da Educação, Milton Ribeiro isenta Bolsonaro. “O presidente da República não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou apenas que pudesse receber todos que nos procurassem […] Da mesma forma, recebo pleitos intermediados por parlamentares, governadores, prefeitos, universidades, associações públicas e privadas. Todos os pedidos são encaminhados para avaliação das respectivas áreas técnicas”. Ribeiro afirma que os recursos seguem a legislação e os critérios técnicos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). “Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, destaca.

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