Em duro artigo, general Santos Cruz diz que “bolsonarismo terminará em violência”

Ex-ministro do atual governo critica uso político do Exército e diz que mentalidade “anarquista” do presidente “alimenta fanatismo com seguidores extremistas”

Em artigo publicado neste domingo, 13, no jornal O Estado de S. Paulo, o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz fez um prognóstico preocupante sobre o destino do movimento liderado por Jair Bolsonaro (sem partido).

Santos Cruz foi ministro de Bolsonaro – titular da Secretaria de Governo – durante os sete primeiros meses da gestão. Saiu praticamente escorraçado, depois de intensos ataques promovidos pela chamada ala ideológica”, da qual o vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02 do  presidente, é o nome mais proeminente.

“Para aventuras políticas pessoais, instituições sólidas e funcionais são sempre um imenso obstáculo”, diz o general Santos Cruz em artigo | Foto: Reprodução

Para o general, a “mentalidade anarquista” de Bolsonaro atua para “destruir e desmoralizar as instituições, e banalizar o desrespeito pessoal, funcional e institucional”. E segue: “Junto com seguidores extremistas, alimenta um fanatismo que certamente terminará em violência.”

No texto para o Estadão, intitulado “Por que envolver o Exército em crise política?”, Santos Cruz minimizou a falta de punição da instituição ao general da ativa e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, por ter participado de ato político. E disse que o problema grave é o risco Bolsonaro. “Problemas disciplinares são resolvidos diariamente por todos os comandantes, nos diversos níveis. Não é esse o problema. O problema é muito maior e mais grave. É político. E tem um responsável – o presidente. Para realizar seu projeto pessoal, ele vem testando o Exército frequentemente. Isso é deliberado. É projeto de poder”.

No mesmo artigo, ao fim, o general lamenta “a polarização entre quem já teve oportunidade de governar e se perdeu em demagogia e escândalos de corrupção” e “quem mostra diariamente que tem como objetivo um projeto de poder semelhante, apenas com sinal trocado”. “O Brasil não merece”, conclui, realçando que o Exército não pode continuar a ser “covardemente prejudicado por causa de um projeto de poder pessoal e populista”.

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