Em 2026, o Brasil deixa de ser um mercado para virar um movimento cultural do mundo
10 fevereiro 2026 às 16h12

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Ser brasileiro está na moda e o mundo inteiro está falando disso. O Brasil não virou “tendência”, agora é referência. Em 2026, a palavra brasileiro tornou-se sinônimo de luxo global. Enquanto marcas brasileiras querem parecer gringas, o mundo inteiro está copiando o Brasil.
Por décadas, Holywood moldou o que era desejável. As referências vinham “da gringa” pelas grandes telas e invadiam nosso subconsciente, ditando o que o mundo inteiro deveria consumir, usar, agir. Foi assim que o “American Dream”, o sonho e o estilo americano viraram um similar de estilo social bem sucedido, as marcas americanas eram sempre as melhores, mas é bom lembrar que isso não é invenção dos americanos. Há mais de dois mil anos, a massificação de um estilo de ser já era ditado nas ruas de Roma. “Em Roma aja como os romanos” era o que diziam, e quem não falasse latim naquele vasto império era considerado um “outsider”, um bárbaro.
Durante o longo período em que o melhor era o que vinha da “América” , a falta de uma identidade definida “americanizou” o Brasil, como dizia a saudosa Carmem Miranda que, na década de 40, foi criticada pela imprensa nacional por retornar ao país ( a cantora mudou-se para os Estados Unidos e ficou mais de dez anos sem voltar ao Brasil) toda “americanizada”. As marcas brasileiras escolhiam nomes em inglês tentando imitar a onda americana. Quem não se lembra de camisetas estampadas com “New York”?. O importante era parecer “gringo” e essa é a origem do nosso “complexo de vira-lata”. Mas de um tempo pra cá, as redes sociais ajudaram a quebrar esse tabu e algo inesperado está acontecendo: a atenção mundial se descentralizou e o mundo e virou-se para o Brasil e os números falam por si.
Desde novembro do ano passado (antes da polêmica pé direito, pé esquerdo protagonizado pela atriz Fernanda Torres num comercial da marca) a sandália Havaianas que custa R$45,00, virou o produto mais desejado do mundo de acordo com Lista Index. Um simples chinelo conseguiu superar não só a Nike, mas todas as marcas de luxo do planeta. No cinema, o reflexo verde e amarelo consolidou o Brasil como referência da sétima arte com o Globo de Ouro e o Oscar de “Ainda estou aqui”, o filme “Cidade de Deus” ganhou uma série, virou audiência recorde na HBO que, na semana passada, anunciou uma segunda temporada. No ranking global de mercados de luxo que mais crescem, o Brasil já aparece em nono lugar. Enquanto o mercado de luxo mundial está em linha decrescente, queda de 10% só em 2024, o Brasil cresce 12% ao ano neste quesito desde 2022. A Vogue Business calcula que o mercado de luxo brasileiro vai dar um salto ascendente de 98 bilhões para 130 bilhões de reais até 2030.
Se acha que isso é coincidência, então aí vão mais números. O cantor Bruno Mars fez 14 shows no Brasil em 2024, um recorde histórico, mais shows do qualquer artista internacional já fez por aqui. A cantora Dua Lipa criou uma setlist exclusiva só para o Brasil, o único país da turnê mundial com uma playlist personalizada, e por que? Porque esses artistas globais descobriram que o Brasil não é somente um mercado, mas um movimento cultural. As Havaianas vendem brasilidade para o mundo, Bruno Mars vendeu o “bruninho”. O mundo está em busca de um novo sonho: o “sonho brasileiro”, uma lição de marketing brutal. E 2026 não será o ano das marcas que copiam, mas das que criam movimentos. O mercado mudou, ser autenticamente brasileiro não é problema nenhum, pelo contrário, é uma vantagem competitiva onde só vai vencer quem deixar as imitações de lado, de ser quem não é e assumir a verdadeira identidade brasileira, porque é ela que está reverberando por aí. O mundo já decidiu que o Brasil com “s” e não com “z” é o novo luxo, afinal não existe pecado do lado debaixo do Equador.

