Elite sem freio, sem pudor, sem moral e sem vergonha
14 fevereiro 2026 às 08h38

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- Elite: “O que há de melhor e se valoriza mais numa sociedade/Minoria social que se considera prestigiosa e que por isso detém algum poder e influência.
A definição do verbete elite no Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa carrega um significado pouco ou nada válido para as elites brasileiras ou mundiais, em sua grande maioria. Se o que há de melhor na sociedade brasileira ou mundial são suas elites, estamos ferrados. E acredito que outra definição se encaixe melhor quando falamos desse “seleto e glamuroso grupo”: são apenas os detentos do dinheiro e de parte do poder.
Pouco oferecem, pouco produzem e prestam pouquíssimo a sociedade. São pouquíssimos, mas suas decisões e atitudes desgraçam a vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Para entender até onde vai a hipocrisia dessa elite global, o caso de Jeffrey Epstein é quase didático. Não se trata apenas de um criminoso rico que abusou de crianças. Trata-se de um homem que circulava livremente entre banqueiros, bilionários, chefes de Estado, acadêmicos prestigiados e membros da realeza.
Epstein não foi um desvio do sistema, mas um produto dele. Enquanto uma parcela da juventude entope as prisões por crimes que seriam evitados em cenários de maior justiça social, um multimilionário com conexões internacionais conseguiu por décadas escapar da Justiça, blindado por advogados caros, acordos judiciais vergonhosos e cumplicidade institucional.
A história não é neutra nem isolada. A elite se protege. Dos aristocratas europeus, passando pelos barões da indústria aos bilionários digitais, o acúmulo de riqueza e o sequestro do Estado servem não somente para a naturalização dos seus privilégios, mas, especialmente, para se blindarem de suas sujeiras cotidianas.
O problema não é a moral individual e, nesse caso, coletiva. As elites estão sem freio, sem pudor e sem vergonha. As elites estão nuas, com suas vergonhas expostas e escancaradas. Sorte a deles que o povo está inerte, cansado, quase desesperançado. E que é sexta-feira de Carnaval.

