“Eleições não serão da estrutura, mas sim da postura política”, defende Marina Silva

Em Goiânia para o lançamento oficial da campanha de Djalma Araújo, ex-senadora defendeu renovação na política e novas eleições para presidente

Marina Silva compareceu ao lançamento oficial da candidatura de Djalma Araújo | Foto: Divulgação

Marina Silva compareceu ao lançamento oficial da candidatura de Djalma Araújo | Foto: Divulgação

A ex-senadora e líder do partido Rede Sustentabilidade (Rede), Marina Silva, esteve nesta sexta-feira (19/8) em Goiânia para o lançamento oficial da campanha de Djalma Araújo, candidato à Prefeitura de Goiânia pela legenda. Marina apontou que o vereador enfrenta um desafio muito grande, com apenas 12 segundos na televisão e pouca estrutura, mas defendeu que a solução é mostrar sua trajetória e debater a cidade.

Mais de uma vez a ex-senadora defendeu que as eleições municipais serão ganhas não com estrutura, mas com a postura. “As candidaturas da Rede são baseadas em três questões: na postura do candidato e seu compromisso, os nossos programas e no debate. Não queremos aprofundar a cultura do embate e do ódio, feita pelos partidos da polarização”, declarou.

De acordo com a ex-candidata à Presidência da República, a sociedade brasileira está aprendendo a estar à frente dos partidos e das instituições políticas. Ela apontou que mesmo sem estrutura e grandes financiamentos, conseguiu ficar em terceiro lugar nas eleições de 2014 justamente por sua postura e trajetória. “E isso o Djalma tem”, ressaltou.

“Quem quiser se sentir autor de uma vitória, vai votar no Djalma. Se o candidato que tiver estrutura, dinheiro e marqueteiro ganhar, vai ser por isso que ganhou. Mas se Djalma chegar ao segundo turno, sabe que é porque a sociedade o colocou lá e vai dever somente à sociedade”, disse.

Renovação

Marina Silva aproveitou a ocasião para defender uma renovação na política o que, segundo ela, não se faz através de um grupo ou partido político. “Não existe árvore saudável em ecossistema doente. Se continua essa degradação dentro dos partidos, continua a mesma política de sempre”.

Ela apontou que a Rede vem crescendo muito: em dez meses o partido conseguiu lançar candidatos a prefeitos em dez capitais e em outras sete está em coligações; a legenda está presente nos 27 estados do país com diretórios em 700 municípios. Para ela o crescimento veio com o interesse dos jovens na política.

O importante é, segundo Marina, parar de discutir projeto de “poder pelo poder” e discutir “projetos para o país”. “Que se coloque a política como um modo de fazer propostas, como um meio de debate, assim como faz o Djalma. Temos que apresentar um programa em conjunto com a sociedade e fazer uma aliança não com empresários e políticos, mas com o povo”, defendeu.

Um dos exemplos da briga pelo poder citados por ela é o próprio governo interino de Michel Temer (PMDB) que, segundo a ex-senadora, já está “brigando para ver quem vai ser candidato em 2018”. Para ela, o governo já está em uma disputa pelo poder enquanto o que deveria ser feito era “dar uma resposta ao povo”.

Novas eleições

A líder da Rede falou ainda sobre a possibilidade de novas eleições. O partido, explicou Marina, defende novas eleições, mas não nos moldes da proposta da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

“De acordo com a Constituição só existe uma possibilidade de termos novas eleições: se o processo que está no TSE for julgado e ao ficar comprovado – como está indicando a Lava-Jato – que o dinheiro do Petrolão foi usado para fraudar eleição da chapa Dilma-Temer, essa chapa deve ser cassada e devem ser convocadas novas eleições. Qualquer outro caminho que não seja esse, não tem base constitucional.”, declarou.

Para ela, um plebiscito que consulte o povo sobre novas eleições pode ser “uma espécie de anistia para quem praticou crime de responsabilidade e não quer perder sua elegibilidade para as próximas eleições”.

Por isso, destacou, a Rede defende novas eleições de acordo com o processo no Tribunal Superior Eleitoral desde o início. A Justiça Eleitoral, defendeu, tem o papel de mostrar que a impunidade política vai acabar.

 

Deixe um comentário