Eleições: candidatos a vice-prefeito detalham como pretendem atuar caso sejam eleitos

Wilder Morais, Pedro Wilson e Rogério Cruz comentam participação na campanha, como pensam a cidade e destacam projetos prioritários para a gestão

Candidatos a vice-prefeito: Rogério Cruz, Wilder Morais e Pedro Wilson| Foto: Reprodução

O postulante ao cargo de vice-prefeito muitas vezes é esquecido durante a campanha e até mesmo na gestão, ficando relegado a uma figura simbólica e distante da tomada de decisões. A escolha para o cargo, não raramente, é determinada pela capacidade de conquista de voto ou financiamento da campanha. No entanto, é preciso lembrar que o vice pode ser uma figura ativa e participativa na gestão.

O vice-prefeito deve estar preparado para assumir o Executivo em situações temporárias ou até de forma definitiva em caso de vacância, caso o prefeito sofra alguma sanção, saia para disputar outro cargo ou situações envolvendo saúde. Por isso, o Jornal Opção conversou com os principais candidatos a vice-prefeito de Goiânia para entender como eles têm participado do pleito e pretendem atuar caso sejam eleitos.  

O candidato a vice-prefeito na chapa de Vanderlan Cardoso (PSD) é Wilder Morais (PSC), engenheiro de obras e empreendedor, que chegou a lançar sua pré-candidatura mas acabou compondo com Vanderlan em uma costura com a participação decisiva do governador Ronaldo Caiado (DEM).

Como o vice contribui para a campanha?

Resposta – Primeiro de tudo, eu participei de toda pré-campanha como pré-candidato a prefeito. E não como vice. Recebi quase 800 mil votos em uma disputa para o Senado há dois anos. Então, estruturei minha participação desta forma: com campanha nas ruas. Ao virar o vice na chapa do Vanderlan Cardoso, levei todo este trabalho antecipado e nosso plano de governo. Sentamos, de fato, para discutir ponto a ponto. Desde o início tenho atuado ao lado do nosso futuro prefeito em carreatas, encontros e o representado. Já realizei vários encontros e sabatinas com segmentos da sociedade civil e represento formalmente a coligação. Não serei o prefeito, evidentemente, mas tenho atuado como protagonista para que o projeto seja vencedor. Tenho levado várias propostas para nosso diálogo com a sociedade. Exemplos: desenvolvimento da cultura através da criação da “Cidade Cultural e da Música”, que afetaria vários segmentos de empreendedores e artistas; revitalização efetiva do Centro, fazer dele o maior shopping aberto do país, gerando empregos. Propomos também a criação dos polos de desenvolvimento em cada uma das sete regiões, os distritos industriais. Vamos utilizar toda a experiência de quando fui secretário de Indústria e Comércio por pouco mais de um ano e ajudamos a atrair mais de 159 empresas e gerar mais de 50 mil empregos diretos e indiretos.

Caso seja eleito, como contribuirá?

Resposta – Sou ex-congressista, que a imprensa apontou na época como o que mais trouxe recursos para Goiás. Tenho livre acesso, graças a Deus, ao governador de Goiás e também o presidente Jair Bolsonaro. Poderei buscar recursos para Goiânia. Sei bem fazer isso. Sou engenheiro civil e empreendedor reconhecido na iniciativa privada e tenho diálogo constante com o segmento empreendedor. Gosto de ser atuante e, desde que acionado pelo prefeito, estaria disposto a trabalhar.  

Wilder Morais | Foto: Reprodução

Como pensa a cidade?

Resposta – Goiânia é uma Capital com várias cidades dentro. Penso que precisamos especializar a gestão, daí as regionais que tenho debatido com Vanderlan. Precisamos resolver questões econômicas para que o empreendedor produza, prospere e gere empregos. Penso Goiânia para morar e também produzir.  Ela precisa dar qualidade de vida aos seus moradores e garantir que iniciativas espontâneas como a região da 44 se espalhem para outros bairros, de forma ordenada e segura.  Isso é possível, pois Goiânia ainda tem grandes vazios urbanos.  Defendo, então, duas Goiânia em paralelo e que devem se encontrar: a Goiânia do morador, da qualidade de vida, da educação e saúde e da mobilidade e do empreendedor, que precisa encontrar mecanismos produtivos, com justiça tributária e menos burocracia. Essas duas Goiânia se encontram onde: na regionalização, por exemplo, que vai resolver problemas de mobilidade. O cidadão tem o direito de trabalhar onde vive.

Pedro Wilson | Foto: Reprodução/ Fotoshows

O Professor Pedro Wilson é candidato a vice-prefeito de Goiânia, na chapa liderada pela Delegada Adriana Accorsi. Pedro foi reitor da PUC Goiás, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e ingressou na política “para continuar o ofício de educar e transformar a nossa realidade”. Um de seus fundadores, exerceu pelo Partido dos Trabalhadores (PT) mandatos de vereador, três vezes deputado federal e prefeito de Goiânia na gestão 2001 a 2004. Após mais de 50 anos de vida pública, atualmente com 78 anos de idade, o professor decidiu emprestar seu nome para mais um desafio eleitoral.

O candidato ressalta seu legado como contribuição à candidatura de Adriana Accorsi. Ele aponta que, na Educação, sua gestão idealizou o conceito de CMEIs e conquistou o Prêmio Prefeito Amigo da Criança, da Fundação Abrinq, sendo destacado em primeiro lugar entre os cinco prefeitos que mais cooperaram para que os direitos da criança e do adolescente fossem cumpridos. Criou e implantou o Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) e o de alfabetização de garis. “Valorizamos a carreira e profissionais puderam licenciar-se para fazer pós-graduação, o que resultou em mais qualidade do ensino”, destaca.

No âmbito da saúde, Pedro destaca que sua administração atuou forte na descentralização e regionalização do atendimento, no fortalecimento da participação popular, no controle social e na valorização de todos os profissionais da área. “Determinamos sempre o trabalho integrado”, ressalta. Como educador, atuou nas causas ambientais e ecológicas, concebeu e viabilizou recursos para o Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns e promoveu a instalação de parques e praças, resgatando o legado do arquiteto Atílio Correia Lima, que projetou Goiânia como “uma cidade entre bosques”.

Como pensa a nova gestão?

Resposta – Nós tínhamos já encaminhada uma possível coligação, com o PCdoB na vice, que no entanto decidiu montar chapa própria. Respeitamos a posição do PCdoB e isso impôs ao PT dispor de seus quadros. Meu nome foi colocado, houve aceitação e agora estamos aí na disputa, com um plano de governo que pense Goiânia para os próximos quatro anos e prepare a cidade para o seu centenário, em 2033. O enfrentamento à pandemia do novo coronavírus é prioridade para a gestão. Não podemos aceitar como fato consumado que milhões de pessoas tenham morrido, mais de 150 mil delas no Brasil. Temos que lutar pela vida! Então, a primeira ação será um trabalho integrado para prevenir da Covid-19, mas também cuidar e proteger a população da Dengue, Chikungunya, Zica e outras enfermidades. Temos que deixar a polêmica e acreditar na ciência. Institutos brasileiros, como o Butantã, parceiros de centros de pesquisa de outros países atuam cientificamente, visando salvar a vida das pessoas por meio da vacina. Outra pauta é o transporte coletivo urbano, serviço publico essencial que não pode, portanto, ter a sua gestão conduzida sob a égide do mercado. Requer ações de controle, planejamento e regulação do poder público, de forma a atender aos princípios da universalidade e da homogeneidade na oferta de serviços a todas as regiões da cidade. Em nossa gestão, a organização e os investimentos no sistema viário da nossa cidade vão privilegiar a circulação do transporte coletivo e a segurança dos ciclistas e dos pedestres. Goiânia vai assumir a gestão do Sistema Integrado de Transporte Urbano.

Atuação em prol da conclusão imediata do Macambira Anicuns

Pedro Wilson defende a construção até 2033 – quando Goiânia completará 100 anos – de dois parque lineares, como o Macambira-Anicuns, concebido por ele e levado adiante pelo prefeito Paulo Garcia. “Com Adriana prefeita, vamos propor o Parque Córrego Santo Antônio, entre Goiânia e Aparecida, e o Parque Rio Meia Ponte – Ribeirão João Leite, para que Goiânia toda e os municípios vizinhos tenham qualidade de vida, desenvolvimento sustentável, social, e uma Goiânia para hoje e para amanhã”.

Pedro destaca ainda que a nova administração petista criará um grande programa de ampliação e reformas de moradias para famílias de baixa renda e fortalecerá o Conselho Municipal da Habitação, que reúne cooperativas populares, empresários, igrejas, ONGs, entidades de classe e universidades. “Quando fui prefeito, erradicamos as moradias em situação de risco e transferimos as famílias para casas ou apartamentos dignos e de qualidade”, lembra.

Da coordenação do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno e do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Pedro Wilson se preocupa muito com o abandono da população em situação de rua e com sofrimento mental. Segundo ele, também não há no município o benefício do aluguel social e política habitacional para essas pessoas, e os Centros de Atendimentos Psicossocial (CAPS) estão abandonados. “Vamos ter orçamento e políticas públicas de verdade para cuidar com dignidade dessas pessoas”, conclui, ao indicar que pretende atuar em parceria com Adriana em todo o mandato.

Vereador Rogério Cruz (PRB) | Foto: Alberto Maia

O candidato a vice-prefeito de Maguito Vilela (MDB), o radialista, pastor e tecnólogo em Gestão Pública, Rogério Cruz, vivenciou na prática o papel de sucessor em um certo momento desta campanha, após Maguito ser hospitalizado por conta da Covid-19. Ele teve que assumir uma série de eventos e liderar a coligação Pra Goiânia seguir em frente.

O vice dividiu a agenda com outras lideranças do partido e mostrou desenvoltura na condução dos trabalhos. No entanto, Cruz também precisou se afastar da campanha de rua por também ter recebido o diagnóstico positivo para Covid-19. Ele cumpre o isolamento domiciliar desde a tarde de quinta-feira, 29.

Apesar do repouso necessário, Rogério Cruz está bem e falou um pouco sobre o seu trabalho para o Jornal Opção. “Já estou fazendo tratamento médico. Estou bem, estou em casa. Vamos enfrentar essa doença com todo o cuidado possível”, afirma.

Contribuições para a campanha

Resposta – Estou participando ativamente da campanha, conversando com lideranças e a população, além de ter participado da construção do plano de governo, inclusive com indicações de especialistas das mais diversas áreas que auxiliaram na construção do plano. Também tenho participado ativamente em todas as agendas externas e internas e de todos os segmentos.

Como pretende atuar caso seja eleito

Resposta – Estarei caminhando junto com nosso prefeito Maguito Vilela para execução do plano de governo, principalmente na área social. Também serei uma voz de interlocução junto a Câmara de Vereadores para aprovação dos projetos necessários para execução fiel do plano de governo. Além de ouvir a população para fazer chegar às demandas junto ao prefeito.

Questionado sobre como atuaria em caso de necessidade de assumir o mandato, caso o prefeito saísse para tentar outra eleição, ou caso o candidato se afaste por motivos de saúde, Rogério foi enfático em relação ao compromisso de seguir à risca o Plano de Governo apresentado à população.

“Primeiramente, cabe-nos observar que o histórico de Maguito Vilela é de cumprimento de seus mandatos, não abandonando cargo pela metade. Então em remota possibilidade, caso isso acontecesse, seguiria 100% o plano de governo, visto que é o melhor plano de governo para Goiânia, que foi muito bem estudado por profissionais técnicos de todas as áreas”, assegura.

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