As urnas eletrônicas utilizadas nas Eleições 2026 terão uma nova interface e recursos voltados à acessibilidade e à simplificação do processo de votação. As mudanças foram desenvolvidas pela Justiça Eleitoral a partir de dificuldades identificadas entre eleitores em pleitos anteriores.

Entre as principais novidades está a adoção da fonte Atkinson Hyperlegible, criada pelo Braille Institute. O formato prioriza a diferenciação entre os caracteres, além de melhorar o espaçamento e o contraste na tela. A mudança busca facilitar a leitura principalmente para pessoas idosas, com baixa visão ou deficiência visual.

Os recursos em Língua Brasileira de Sinais (Libras) também serão ampliados. Os vídeos com intérpretes, que já informavam o cargo em disputa, passarão a apresentar orientações sobre voto em branco, voto nulo e voto de legenda.

Barra de progresso

Outra mudança estará na parte superior da tela. Uma barra de progresso ficará visível durante a votação para indicar quais cargos já receberam o voto do eleitor e quais ainda estão pendentes.

A ferramenta foi inspirada em projetos desenvolvidos por estudantes da Universidade de São Paulo (USP) durante um concurso destinado ao aperfeiçoamento da experiência dos usuários das urnas.

Testes realizados com eleitores indicaram que a combinação da nova fonte com a barra de progresso reduziu a necessidade de ferramentas externas de ampliação, como lupas. A expectativa é que o recurso também facilite a votação em eleições com vários cargos em disputa.

Mudanças estarão em todas as urnas

O sistema eleitoral brasileiro contará com quase 600 mil urnas para atender mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar nas Eleições 2026.

Apesar de quatro modelos diferentes de equipamentos serem utilizados, os recursos de navegação e acessibilidade serão padronizados nas seções eleitorais. As gerações mais recentes correspondem a 77% do parque de urnas e possuem maior capacidade de processamento, além de tela sensível ao toque no terminal utilizado pelos mesários.

Segundo a Justiça Eleitoral, as urnas funcionam exclusivamente com programas desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes das eleições, os sistemas passam por procedimentos de fiscalização e auditoria com participação de entidades como partidos políticos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal e órgãos de controle.

Após os procedimentos de verificação, os programas utilizados nos equipamentos são assinados digitalmente e lacrados na sede do TSE.

Leia também

Quando a política vira entretenimento: estamos escolhendo governantes ou personagens?