Educadores criticam plano de investimentos em educação básica do MEC

Apesar de ressaltarem aspectos positivos, especialistas na área afirmam que existem questões mais urgentes do que a implementação das escolas “cívico-militares” 

Foto: Reprodução

O Governo Federal apresentou, na última quinta-feira, 11, após seis meses de gestão, o plano de investimentos para a educação básica. Segundo com o documento, o Ministério da Educação (MEC) pretende implantar, até o ano de 2023, 108 escolas “cívico-militares” em todos os Estados. Ainda de acordo com a proposta, o governo pretende expandir o ensino em tempo integral e técnico, construir creches, e investir em conectividade nas escolas. Há previsão que os investimentos, ainda neste ano de 2019, sejam de ao menos R$ 500 milhões.

Para especialistas na área, existem aspectos positivos na proposta, entretanto, tecem críticas quanto ao fato de o governo estar priorizando a implementação das escolas “cívico-militares”, em vez de questões de maior urgência, como a valorização dos professores.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, segue defendendo um maior foco na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio. Além de priorizar escolas cívico-militares, Weintraub disse, também, que quer colocar 1,7 milhão de crianças nas creches.

“A meta mais óbvia é universalizar a pré-escola, que não está universalizada, o que é um absurdo. E chegar a 50% das crianças em creches. Temos um programa bem avançado. Acredito que conseguiremos atingir isso no ano que vem”, disse.

De acordo com o MEC, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é superior nos colégios militares: 6,99, ante 4,94 dos civis. Especialistas dizem que isso acontece devido à concentração de investimentos e à seleção de alunos. Já a educadora Luciene Tognetta, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem) da Unesp, ressalva que a implementação do modelo contraria tendência mundial: “É preciso a construção da educação para autonomia dos sujeitos e não para obediência e pelos castigos e punições. Pesquisas mostram que esse modelo é menos eficaz do que uma educação pautada pela liberdade”.

Contraponto

Segundo a educadora Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Política da Fundação Getulio Vargas (Ceip-FGV), propostas para a área eram urgentes e chegam atrasadas devido a discussões “ideológicas secundárias” na pasta, afirmou. No entanto, ela ressalta que é positivo o fato de que o governo tenha apresentado um projeto: “É importante que o governo tenha mantido o diálogo com o Plano Nacional de Educação, como em relação à inclusão de crianças na creche; e com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”.

“O problemático é a proposta das escolas cívico-militares. Estamos na quarta revolução industrial, vamos competir com robôs e robotizar mais as crianças e os adolescentes. Isso pode parecer interessante no curto prazo, para conseguir disciplina na escola, mas as escolas de tempo integral em Pernambuco estão conseguindo resultados melhores sem fazer isso. Não acho que construir 108 escolas cívico-militares seja um bom uso de um dinheiro já escasso”, concluiu.

Cláudia pontuou que falta dinheiro para dar um salário mais atrativo ao professor: “A atratividade é muito baixa, então acabamos não trazendo talentos para profissão”.

Creches

De acordo com informações do MEC, o Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância) sofrerá mudanças para acelerar a conclusão de obras inacabadas. Dados mostram que exuistem 4.047 concluídas, e outras 4.981 ainda não finalizadas. A meta da pasta é dar celeridade à conclusão de cerca de quatro mil unidades até o ano de 2022.

Acesso à internet

A proposta do governo também prevê conectar 6,5 mil escolas rurais em todos os estados por meio de banda larga via satélite. O MEC pretende investir R$ 120 milhões até o fim do ano para promover a conectividade nessas unidades, que, segundo a pasta, beneficiará 1,7 milhão de alunos.

Ensino integral

O plano de investimentos para a educação básica também pretende ampliar o ensino integral em todo o país, reativar o programa Novo Mais Educação, aumentar o horário de aulas no ensino fundamental. Além isso, o MEC deve disponibilizar R$ 230 milhões até o final do ano para incentivar o tempo integral no ensino médio. (Com informações do site O Globo)

 

 

 

 

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