“É muito desgastante para a minha idade”, diz moradora que será desapropriada devido às obras da Leste-Oeste

Iris garantiu que nenhuma casa será derrubada, sem que essas famílias tenham outro lugar para morar. Moradores, no entanto, temem desapropriação

Foto: Leicilane Tomazzini/Jornal Opção

Permanece a angústia e a preocupação das famílias que moram nas proximidades das obras de continuidade da Avenida Leste-Oeste, em Goiânia. Isto porque, mesmo após reunião dos moradores do leito da antiga ferrovia com o prefeito Iris Rezende (MDB), nenhuma decisão foi tomada quanto à desapropriação, ou não, dessas casas para o avanço da construção.

Segundo o prefeito, nenhuma casa será derrubada, e nenhuma família será retirada do local – trecho que vai rua 74, no Centro, até GO-403, que dá acesso a Senador Canedo – sem outro lugar para morar. As 60 famílias que vivem na região, no entanto, não acreditam nessas promessas e temem serem expulsas de suas casas, onde moram há anos.

A dona Adelaide Rodrigues da Silva, por exemplo, mora na mesma casa há 20 anos, e conta que está muito preocupada, pois, caso tenha que desocupar o local, não tem para onde ir. “Não veio ninguém veio explicar nada, ninguém da prefeitura, nenhum vereador, estamos com medo, porque eles já foram chegando e passando as máquinas, sem avisar ninguém”, afirmou.

Outra moradora que está na mesma situação é a dona Antônia Alves, de 77 anos, ela conta que o prefeito informou, em visita às obras, na última quarta-feira, 24, que só iriam mexer nas casas que realmente precisassem ser removidas, mas dona Antônia diz ter conhecimento que irão sim, fazer a desapropriação: “Eles falaram que não vão tirar  [as casas], mas para passar uma rua com duas pistas tem que tirar, isso é muito desgastante para a minha idade”.

A antiga moradora disse ainda que não acha que as obras na Leste-Oeste sejam prioridade: “Tudo bem que precisa da estrada, mas precisa também de hospital. Passei mal, me levaram para a Chácara do Governador e não sabia nem voltar, eu fiquei sentida demais”. Ainda de acordo com a idosa, ela está mais preocupada com o filho, que também mora próximo: “Eu, só Deus sabe para onde vou, mas meu filho tem família e está desesperado”.

Já o problema do senhor Juscelino é maior, além de não ter um destino certo, assim como os outros moradores, a documentação de sua casa não está regularizada. “Só temos o documento de compra, isso só aumenta nossa insegurança, temos medo de receber apenas uma indenização que não dá para comprar nem mesmo as cerâmicas da casa”, contou.

 O secretário de Infraestrutura de Goiânia, Dolzonan Mattos, disse, em entrevista coletiva no início das obras na avenida, que a previsão era que houvesse muitas desapropriações. Ele informou, ainda, na ocasião, que muitas famílias já haviam sido notificadas pela prefeitura, e assinariam um acordo que garantiria o direito a indenizações, fato que não aconteceu com os moradores ouvidos pelo Jornal Opção.

Enquanto a prefeitura de Goiânia não alinhar um acordo formal com essas famílias, elas continuarão vulneráveis, sem saber se terão direito a outra moradia, caso tenham que deixar suas casas.

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